A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 31/08/2022
´´O vírus mata, a fome também´´. Tal assertiva, proferida pelo presidente Jair Bolsonaro, em 2020, durante a pandemia do Covid-19 reflete a relação direta entre o acesso à alimentação básica e o contexto pandêmico. Sob essa ótica, a questão da fome vitimiza uma grande parcela da sociedade brasileira hodierna, fruto da desigualdade social e o negligente amparo estatal.
Cabe mencionar, a princípio, o perfil histórico no qual o Brasil foi estabelecido e a relação com a insegurança alimentar. Nesse viés, o modelo desigual de colonização brasileira, marcada sobretudo, pela estratificação e valorização de certas regiões em detrimento de outras acarretou, em suma, a ampla desigualdade analisada no país, o que é observado quando se trata em ter acesso ao que comer, uma vez que poucos tem fartura, e muitos padecem com fome. Tal constatação é comprovada por meio de dados do Jornal UOL, ´´A situação mais severa atinge a mesma parcela vítima da extrema pobreza, principalmente mulheres chefes de família, pretas ou pardas, com baixa escolaridade e trabalho informal´´. Portanto, a realidade foi ampliada na pandemia do Covid-19, em que as recessões econômicas cresceram exponencialmente e a inflação expandiu, o que por sua vez, implica em dificuldades de acesso a alimentos, principalmente entre os mais pobres.
Em segundo plano, convém analisar o modelo negligente estatal em relação aos vitimizados pela fome. Nesse sentido,´´ Instituiçoes zumbis´´ foi um termo cunhado pelo sociólogo Zigmunt Bauman, que se refere ao fato de que algumas intituições, como o estado, estão perdendo sua função social. Dessa forma, comprova-se essa teoria ao observar as insuficientes ofertas de serviço de assitência sociais voltados para minimizar a fome no país- tais como, o bolsa familia e a distribuição de cestas básicas -. Sendo assim, a rotina de muitos indivíduos se alterou devido à pandemia, e com isso, a aquisição da renda familiar também, ficando sujeitos à fome.
Destarte, para reverter o quadro, cabe ao Governo amplificar projetos sociais que reduzam a fome, por meio do monitoramento das áreas interioranas mais afetadas e resoluções que visam à distribuição de cestas básicas, vales compras e auxílios financeiros. Tais medidas devem objetivar a população em vulnerabilidade alimentar, para que a mazela da fome seja minimizada.