A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 10/09/2022
Nova onda de Carolinas
A problemática da fome é uma questão que permeia toda a trajetória da humanidade. Sendo a escassez de alimentos gatilho tanto para a Transição Demográfica Neolítica quanto para a Revolução Francesa, era de se esperar que essa situação fosse rara na era tecnológica, porém, esta se tornou ainda mais notória devido aos efeitos da pandemia do coronavírus e trouxe riscos à saúde.
Houve no país uma profusão de demissões no período de restrição às atividades não-essenciais. Com a redução do consumo de certos bens e produtos empresas tiveram que reduzir quadro de funcionários, afetando a renda de milhares de famílias. O comprometimento de dinheiro diminui a quantidade e qualidade das refeições à mesa, como mostra Carolina Maria de Jesus, escritora brasileira, em sua obra Quarto de Despejo, na qual relata sua realidade como coletadora de recicláveis e que diariamente luta sozinha para sustentar três filhos. Cenas de fome como as descritas pela moradora da favela se repetem com grande frequência no Brasil pandêmico.
Assim como a vivência da autora, que tinha frequentes sintomas de desnutrição, atualmente a falta de alimentos tem causado anemia, escorbuto, fraqueza. Essas enfermidades são ruins especialmente para crianças, fato que pôde ser visto no caso fluminense famoso em 2022 no qual foram libertos uma mulher e dois adolescentes que viveram em cárcere privado e condições miseráveis por Luiz Antonio Silva durante 17 anos e os jovens apresentam proporções infantis devido à subalimentaçao.
É necessário que sejam criados bancos de distribuição de alimentos para as famílias que tiveram redução de renda durante a pandemia. Isso é possível com a articulação do Ministério da Agricultura com incentivo de redução fiscal aos agricultores que doem alimentos para o projeto. Dessa forma há o suporte no abastecimento da despensa dos grupos prejudicados durante esse período de recessão e melhora da qualidade nutricional dos brasileiros.