A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 19/09/2022

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 6º, garante a todos, na teoria, o direito à alimentação. Contudo, na prática, percebe-se que ele não é assegurado, visto que a questão da fome em tempos de pandemia se apresentou como realidade. Nesse sentido, é inegável afirmar que esse impasse esteja vinculado à má distribuição de alimentos e ao desempego.

Nessa perspectiva, vale ressaltar a péssima distribuição de alimentos como fomentadora da má nutrição dos cidadãos durante a pandemia. Segundo o economista britânico Thomas Malthus, o corpo social cresceria até um ponto em que a quantidade de comida não seria o suficiente para todos, e as pessoas morreriam de fome. Desse modo, no panorama do coronavírus muitas pessoas morrem de fome, mas não por faltar alimentos, e sim por haver uma concentração desigual de comida. Assim, o abismo social existente nesse cenário faz com que haja um acúmulo de mantimentos na parcela dos indivíduos com grande poder aquisitivo e status social e as com baixa concentração de renda permanecem desnutridas.

Ademais, cabe salientar que a insegurança alimentar durante a Covid-19 é uma consequência direta do desemprego nesse período. A título de exemplificação tem-se a série brasileira 3%, a qual retrata uma parcela da população faminta devido à falta de serviço oferecido. Sob essa lógica, é incontestável que durante a pandemia inúmeros indivíduos, principalmente os de classe social mais baixa, perderam seus empregos, uma vez que os patrões não conseguiram manter seus negócios, e com isso, essas pessoas não puderam ganhar dinheiro e assegurar seu sustento, o que, consequentemente, gerou a fome.

Portanto, é perceptível que em tempos de pandemia a fome esteve presente na vida dos cidadãos. Dessa forma, é necessário que o Governo amplie as doações de alimentos voltadas às classes mais baixas da sociedade, por meio de mais verbas direcionadas ao setor alimentício. Essa ação deve viabilizar um auxílio as pessoas mais necessitadas, com o objetivo de promover para os indivíduos que mais carecem de nutrientes a disponibilização deles. Além disso, deve estimular a contratação de funcionários que perderam seus empregos.