A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 09/10/2022

Na música “Podres Poderes”, do cantor Caetano Veloso, há uma analogia ao descaso do governo frente à população necessitada no trecho “Enquanto os homens exercem seus podres poderes, morrer e matar de fome, são tantas vezes gestos naturais”. Em consonância com essa realidade, está a de muitos cidadãos, já que a questão da fome em tempos de pandemia ainda configura um desafio a ser sanado. Nesse prima, destacam-se dois aspectos: o aumento da insegurança alimentar e o abandono do poder executivo para com a população nesta realidade.

Diante desse cenário, é válido pontuar o desemprego como um dificultor para resolução dessa problemática. Sob esse viés, Bauman afirma, em “Vida para Cosumo”, que o ser humano só é considerado sujeito social a partir do momento em que produz, e consequentemente consome. Nesse sentido, com o aumento da inflação e taxa de desempregados, a insegurança alimentar foi uma consequência, visto que com o aumento de preços e a carência de capital, se tornou inviável ter uma alimentação completa sem deixar de lado demais áreas básicas da vida. Assim, enquanto a insegurança nutricional for presente, o Brasil não evoluirá.

Ademais, o descaso imposto do poder Executivo, inviabiliza a integração desse público. Em 2022 o Brasil voltou ao mapa da fome, tendo cerca de 33 milhões de cidadãos em situação de insegurança alimentar. E com o aumento da taxa de juros, atrelado à inflação, alto desemprego e sem amparo do governo, esse número tende a subir cada vez mais, gerando uma crise em escala nesta Era caótica. Desse modo, sem que o desamparo do poder governamental deixe de acontecer, a inserção desse grupo estará cada vez utópica.

Portanto, depreende-se a adoção de medidas que venham contar a fome em meio ao período pandêmico. Dessa maneira, cabe ao Ministro da Economia, responsável pelo planejamento e desenvolvimento de gestão, realizar um Projeto Nacional, em consonância com o Poder Legislativo, com o nome de “Fome Zero”, promovendo ações para aumento de vagas de emprego, a fim de que o poder aquisitivo do cidadão aumente e, por conseguinte, a insegurança alimentar diminua. Somente assim, realidades retratadas por Caetano em Podres Poderes se tornem cada vez mais distantes.