A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 21/10/2022

Na produção cinematográfica “O menino que descobriu o vento”, pode-se observar a pobreza que uma cidade da África do Sul está imersa, visto que, a renda dos cidadãos nesse local era do plantio, porém a grande seca impossibilitou esse trabalho, os deixando em uma crítica condição alimentar. Paralelamente, se assemelha a questão da fome em tempos de pandemia no Brasil, que tem mais de 61,3 milhões de pessoas na faixa de insegurança alimentar. Dessa maneira, cabe analisar como o sistema capitalista e o desemprego são causas essenciais para a abordagem da problemática.

Em primeiro plano, a fome no país têm primórdios no período colonial, o qual priorizava a exportação de matéria-prima -açúcar, café e algodão- e deixava o mercado interno para suprir as necessidades de consumo. Ademais, esse modelo permanece até os dias atuais, tal que o Brasil é o terceiro maior exportador de alimentos no mundo e consequentemente agravando a fome, pois o custo dos alimentos produzidos pelo mercado interno é mais alto devido ao transporte e a mão de obra. Logo, é visível tal influência do capitalismo, entretanto para Marx o capitalismo gera seu próprio fim “o capitalismo é o coveiro do capitalismo”, de modo que suas consequências rupturem o próprio sistema, por exemplo, a fome.

Além disso, outro fator possível de análise é o desemprego no país, que teve um aumento no período pandêmico. De tal forma que as atividades econômicas que ganharam destaque foram os trabalhos informais, dando início ao processo de “uberização”, que foi uma solução momentânea para conseguir sobreviver na pandemia. Portanto, o argumento se assemelha com o princípio de John Rawls “Igualdade de oportunidades”, de modo que todos os seres devem partir do mesmo patamar em questões básicas para a sobrevivência humana(alimentação, saúde e educação), visando a divisão de oportunidades igualitárias entre os seres.

Nesse sentido, cabe ao Estado rever a atuação do sistema econômico no país e buscar a criação de vagas de emprego, por meio da reforma de serviços como o SINE(Sistema Nacional de Emprego), que tem menos de 2% do orçamento político para as melhorias de acesso ao trabalho.A fim de mudanças no sistema econômico e redução do desemprego para diminuir a fome no Brasil.