A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 23/10/2022
Aldous Huxley defende: “Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados”. Tal perspectiva é verificada na questão da fome, que é um problema antigo e que se agravou durante a pandemia, mas que se mantém sendo ignorado. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um complexo problema, que se enraíza na desigualdade social e na negligência governamental.
Nesse cenário, em primeiro plano, a assimetria social é um desafio presente no problema. A “isonomia” é a garantia de oportunidades iguais, mesmo em condições diferentes. No entanto, a realidade é pouco isonômica no que se refere a fome no Brasil, visto que com a COVID-19, muitas famílias ficaram sem fonte de renda e consequentemente sem uma alimentação adequada. Assim, nota-se a urgência de proporcionar oportunidades para esse grupo.
Em paralelo, pode-se apontar como um fator determinante a omissão governamental. Para Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar do cidadão. Porém, tal responsabilidade não está sendo honrada quanto à fome, visto que o governo não está tomando atitudes que mudem a situação em um momento de tamanha fragilidade social. Desse modo, para que tal bem-estar seja usufruido, o Estado precisa sair da inércia em que se encontra.
Portanto, faz-se necessária uma intervenção. Para isso, o governo federal deve criar uma agenda econômica mais democrática, por meio da destinação de recursos para grupos excluídos, a fim de conter a desigualdade social que se instala na questão da insegurança alimentar na pandemia. Tal ação pode, ainda, conter divulgações na mídia para que a população tome conhecimento. Paralelamente, é preciso intervir sobre a negligência do Estado presente no problema. Dessa forma, os fatos não serão ignorados e poderam deixar de existir.