A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 28/10/2022

A obra “Criança Morta”, do artista Candido Portinari, representa o sofrimento vivenciado pelos retirantes nordestinos advindo da seca e da fome existente. Nesse viés, na atual realidade brasileira, o surgimento da pandemia do Covid-19 colaborou para o aumento da fome em todo o território. Com isso, é imprescidível analisar a estrutura vigente como repercusora do aumento da fome na época pandêmica e a má gestão governamental para a garantia dos direitos sociais.

Diante desse cenário, a desigualdade socioeconômica presente na sociedade é a principal causa do aumento da insegurança alimentar da camada mais carente em tempos de pandemia. Nesse viés, de acordo com a teoria do economista Celso Furtado presente na obra “Desenvolvimento e Subdesenvolvimento”: nenhuma economia desenvolvida foi categorizada, no passado, como emergente, ou seja, o subdesenvolvimento não é denominado como uma fase do crescimento, mas algo que foi projetado para manter a estrutura nacional e justificar as desigualdades sociais. Com isso, a persistência da fome em diversos lares brasileiros demonstra o anacronismo como estratégia para manter a estrutura social desigual.

Ademais, o direito social à alimentação adequada presente na Constituição Federal Brasileira de 1988 não é, infelizmente, uma realidade para diversos indivíduos brasileiros. Desse modo, segundo a obra “Quarto de despejo” da escritora brasileira Carolina Maria de Jesus, a área nobre da cidade é considerada a sala de visitas, enquanto a favela é o quarto de despejo. Nessa perspectiva, tal com-paração evidencia o descaso governamental com a parcela mais carente da população, a qual é vítima da não garantia dos direitos existentes na Constituição. Com isso, o dado disponibilizado pelo IPEA afirma a existência de 33 milhões de pessoas em situação de fome no Brasil, no ano de 2021, e concretiza o cenário de insegurança alimentar na pandemia.

Portanto, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Cabe ao Ministério da Cidadania acabar com a fome advinda da pandêmica em todo o território, por meio da criação do projeto “Brasil sem fome”, o qual destribua cestas básicas mensalmente nos municípios para famílias de baixa renda, com o objetivo de garantir o direito à alimentação digna presente na Constituição Federal Brasileira.