A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 02/11/2022
A pandemia de COVID-19 impactou os lares brasileiros no âmbito alimentar dado à ascensão da fome no país. Tal cenário é decorrente do aumento da desigualdade social e amplia-se pelas ínfimas políticas estatais de amparo ao pequeno agricultor.
A princípio, convém ressaltar que as disparidades socioeconômicas amplificam as diversas mazelas sociais. Nesse viés, o problema da fome tornou-se maior nas camadas vulneráveis, visto que esse grupo sofreu maior impacto durante a pan- demia, já que tiveram a renda diminuída pelo lockdown, pois foram impossibilita- dos de trabalhar. Sob tal prisma, segundo o relatório de desenvolvimento humano da ONU, o Brasil é o 7º país mais desigual no mundo, esse título reflete-se no aumento da insegurança alimentar nas camadas inferiores pois, com a queda das rendas essas famílias foram obrigadas a reduzir os custos com alimentação. Desse modo, tais indivíduos acabam convivendo com quadros de fome diariamente.
Ademais, outro fator consiste no pouco incentivo público na agricultura familiar. Tal setor é responsável pelo abastecimento interno dos alimentos e tem impacto nos preços dos produtos, tornando-os acessíveis ou não à população mais carente. Nessa lógica, conforme a Constituição Cidadã, o Estado deve promover a dignidade dos seus indivíduos, princípio violado quando as mercadorias tornam-se caras, o que submete um grupo social a condições de fome e compromete, assim, sua dignidade. Logo, sem a ampliação da produção de subsistência e com à ascensão dos preços tem-se uma barreira ao acesso alimentar nas camadas mais pobres.
Portanto, urge que o Ministério da Cidadania realize ações de combate a fome, por meio da distribuição de cestas básicas a famílias carentes, com o intuito de minimizar as condições de insegurança alimentar. Então, será possível diminuir as disparidades sociais promovidas por essa mazela e fornecer condições de dignidade cível a toda a nação. Além disso, o Ministério da Agricultura deve ampliar as ações de incentivo ao pequeno agricultor mediante subsídios, com o fito de fomentar a produção familiar e tornar o preço dos alimentos acessíveis às camadas mais frágeis. Assim, o fornecimento de produtos com custos baixos diminuirá a questão da fome nacional, revertendo os efeitos deletérios da crise epidêmica.