A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 07/11/2022

Consoante à Constituição de 1988, é dever do Estado garantir a alimentação do povo. Fora do papel, a realidade é diferente, visto que, desde o início da pandemia de Covid-19, os índices de fome, no Brasil, têm crescido. Nesse contexto, a existência de pessoas passando fome gera casos de desnutrição, principalmente, infantil e escancara a desigualdade social do país e a ineficácia estatal.

De início, vale ressaltar que uma boa alimentação, além de ser um direito, melhora a saúde e o bem-estar populacional. Nesse aspecto, a presença de pessoas que, devido à pandemia e ao crescente desemprego, não possuem o que comer acentua os casos de desnutrição - principalmente envolvendo crianças -, o que aumenta a vulnerabilidade a doenças. Tal é o caso da varíola dos macaco, cujas mortes envolveram crianças em estado de desnutrição, segundo dados expostos no “podcast” do médico Drauzio Varella. Além disso, essa problemática evidencia a desigualdade social do país, pois, enquanto governantes gastam fortunas em churrascos, quebrando o isolamento necessário para impedir o avanço da pandemia, parte da população não sabe quando será sua próxima refeição.

Ademais, é importante frisar que a garantia de alimentação à população é um de- ver do Estado. Assim, o retorno do Brasil ao Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas mostra uma clara ineficiência estatal. Desse modo, a ausência de ação por parte de entidades competentes, como o Ministério do Desenvolvimento Social, que não desenvolve meios de frear o alastramento da fome, colabora com a permanência desse conflito e da usurpação dos direitos dos indivíduos.

Em suma, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Dessa forma, o Ministério do Desenvolvimento Social deve implantar caminhões da alimentação - os quais circulem por todo o Brasil -, que distribuam, mensalmente, cestas básicas a populações carentes. Tal ação deve ser feita por meio de reuniões com especialistas, para que estratégias de distribuição sejam traçadas e a ação seja eficiente, e com parte do dinheiro destinado aos impostos. Espera-se, com isso, diminuir a fome que, junto à pandemia, prejudica a população e impedir a usurpação dos direitos dessa.