A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 09/11/2022
A pintura “Os retirantes”, do artista plástico Cândido Portinari, é um autêntico retrato da fome. Na obra, os corpos magros expressam a grave incerteza da falta de comida. Paralelamente, a pandemia agravou a questão da fome devido ao elevado desemprego e a alta nos preços dos alimentos. Por conseguinte, para mudar essa triste realidade brasileira, é necessária a ação governamental.
Inicialmente, é preciso destacar que o desemprego aumentou durante a pandemia. Isso pois, em 2021, o país já tinha 15 milhões de desempregados, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Dessa forma, o desemprego é um fator que agravou a fome no país, visto que, com a redução da renda, a incerteza alimentar subiu na sociedade. Nessa perspectiva, a alimentação deixa de ser diária, consomem-se itens mais baratos - próximos do vencimento e pobres em nutriêntes. Assim, muitas famílias passaram a depender da solidariedade de outros, como por exemplo, as doações de cestas básicas realizadas mensalmente pela Legião da Boa Vontade.
Ademais, a alta nos preços dos alimentos é outro grave fator que contribui para o aumento da fome. Como resposta ao desmonte das políticas públicas de armazenagem de grãos, intensificado no governo atual, o preço dos alimentos subiu, como aponta uma reportagem da revista Folha de São Paulo. Sob esse viés, o poder de compra da população reduziu pois, como o salário mínimo não recebeu o ajuste proporcional e o auxílio emergencial não é suficiente para as famílias, compra-se menos do que é necessário. Logo, para reverter essa triste realidade, é indispensável o protagonismo do governo como agente de mudanças na nação.
Portanto, urge que a fome seja superada durante a pandemia. Para isso, é dever do Governo Federal criar ações para reformular o plano emergencial. Isso por ocorrer por meio da criação da renda básica brasileira - compatível com o valor da despesa básica de cada família, a fim de garantir uma alimentação completa para todos os cidadãos. Diante disso, pessoas, como retratadas pela obra de Cândido Portinari, não existirão no território nacional.