A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 21/11/2022

A pandemia da fome

“Fome é pandemia e também mata, se não a vida, com certeza a dignidade.” frase de Rafael Miguel Delfino, postada na coluna “Pensador”. Um dos problemas mais agravados durante a pandemia foi a fome. Entre os anos de 2004 e 2013, o índice de fome era de 4,2% nos lares brasileiros. Em 2022, esse número subiu para 29,4% das famílias.

No ano de 2014, dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) indicavam que a parcela da população que se encontrava em situação de insegurança alimentar havia reduzido em 82%. Isso foi possível através de políticas públicas que garantiram uma maior oferta de alimentos à população, aumento da renda de camadas sociais mais pobres, disponibilização de merenda escolar e através do Programa Bolsa Família.

Segundo um estudo feito pela médica epidemiologista e pesquisadora da Rede Ana Maria Segall, durante os eventos da pandemia, o país voltou a um patamar de fome equivalente ao da década de 1990. De acordo com o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19, atualmente o número de pessoas que não possuem o que comer no brasil é 33,1 milhões, 14 milhões a mais do que em 2020. Embora a taxa de famílias com acesso a uma alimentação de qualidade estivesse caindo a aproximadamente nove anos, a pandemia apenas acelerou esse processo. Segundo o IBGE, as regiões mais afetadas do país são o Norte e o Nordeste, com índices de insegurança alimentar de 71,6% e 68%, respectivamente.

A fim de melhorar esse cenário pós-pandêmico, cabe ao governo, através de novas políticas públicas que visem amparar os mais afetados pela fome, principalmente os indivíduos em situação de risco, assegurar que a comida seja de fácil acesso, principalmente para as regiões mais afastadas do país, como as zonas rurais, e para áreas marginalizadas, como as periferias.