A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 29/05/2023

O livro" Cidadão de Papel" do jornalista Gilberto Dimenstien,mostra que a verdadeira democracia

aquela que implica o total respeito aos direitos humanos está ainda bastante longe no Brasil. Ela existe apenas no papel,ou seja,o cidadão brasileiro usufrui de uma cidadania aparente. Nesse sentido,embora a alimentação seja um direito social - incluso no artigo sexto da Constituição-, o número de pessoas em situação de insegurança alimentar durante a pandemia cresceu de forma exponencial. Desse modo,é importante compreender as causas desse quadro.

Posto isso,é necessário,a princípio, discorrer acerca do acesso desigual á comida. Sob essa ótica, conforme o Índice de Gini,instrumento usado para medir o grau de concentração de renda de uma nação, o Brasil está entre os 10 paíse mais desiguais do mundo. Nessa perspectiva,observa-se a existência de de um cenário de pobreza,no qual as pessoas não conseguem suprir suas necessida_

des básicas,como uma alimentação de qualidade. Enquanto de um lado tem-se um contexto de desperdício, de outro há indivíduos buscando restos no lixo, pois não tem dinheiro para comprar, o que evidencia a desigualdade social em que o país está imerso.

Além disso, outro fator que carece de atenção é a questão econômica. Sob esse prisma,segundo o IBGE,o agronegócio representa cerca de 30% do PIB brasileiro. Sendo assim,esse dado mostra que a política no território nacional tende a priorizar as demandas desse cetor,dentre as quais se destaca a exportação de commodites. Dessa forma, a produção fica,majoritariamente,voltada para o merca_ do externo, o que contribui para diminuir a oferta de comida internamente e consequentemente aumentar, cada vez mais, os proços dos aliments

Portanto,nota-se que além de as pessoas não terem condições de comprar comida, os alimentos estão cada vez mais caros. Logo cabe ao Estado- órgão que segundo a Constituição tem o dever de efetivar a alimentação adequada a todos os brasileiros - promover políticas públicas que visem garantir aos indivíduos os suprimentos básicos, afim de reduzir o número de cidadãos que passam fome. Isso deve ocorrer através de programas de transferência de renda , como o auxílio emergencial liberado durante a pandemia, porém este seria permanente e voltado para compras em mercados e feiras, caracterizando um “vale alimentação”.