A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 17/06/2023

No poema “O Bicho”, o escritor modernista Manuel Bandeira escreve sobre uma pessoa que procurava alimento no lixo porque não tinha o que comer. Fora do contexto literário, o cenário pandêmico da Covid-19 reduziu consideravelmente o acesso aos alimentos. Em virtude da alimentação ser fundamental para manter a sobrevivência e o vigor, é extremamente importante resolver o problema. Todavia, a desigualdade econômica e o crescimento do desemprego são impasses nesse processo.

Primeiramente, de acordo com o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar em Contexto de Covid, os maiores índices em relação à fome e insegurança alimentar durante a pandemia estavam entre o grupo com menor poder aquisitivo. Decerto, o desequilíbrio econômico é, também, uma questão jurídica, pois viola o direito ao sustento, promulgado em 1988, pela Constituição Federal. Além disso, a alimentação escassa reduz a força física, fato que interfere diretamente nas relações do indivíduo com a sociedade.

Em segunda análise, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2021, o percentual de desempregados chegou a 13,2%. Sem dúvida, a ausência da inserção numa atividade laboril dificulta a obtenção de renda e, consequentemente, a compra de alimentos. Assim, essa situação torna-se uma questão que exerce impactos negativos na saúde, porque a fome é responsável pelo surgimento de enfermidades, exemplificativamente, anemia ferropriva.

Logo, urge solucionar os impasses causados pela fome durante o contexto pandêmico. Dessa forma, cabe ao Governo Fedearal ampliar o acesso á comida. A realização dessa medida é viável, por meio da construção de mais programas que democratizem a renda. É necessário que essa ação governamental distribua bolsas com valores capazes de promover uma alimentação qualitativa para a parcela em situação de escassez alimentar. Dessa maneira, será possível fazer com que a falta de recursos não seja um fator privativo do usufruto das esferas sociais, conforme proposto pelo economista indiano Amartya Sen.