A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 23/08/2024
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante da nação, garante o direito à alimentação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquan-to, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se ob-serva a fome em tempos de pandemia. Dessa forma, faz se imperiosa a análise dos fatores que favorecem o quadro: A negligência governamental e a desigualdade.
Primeiramente, nota-se a negligência estatal como fator agravante do proble-ma. De acordo com Milton Santos, em “As Cidananias Multiladas”, a cidadania atin-ge sua eficácia quando os direitos do corpo social são homogeneamente desfruta-dos. Todavia, durante a pandemia, a má gestão e distribuição de alimentos distân-ciou as famílias carentes dos direitos constitucionalmente garantidos, à medida que aumentou a fome e a insegurança alimentar, levando milhares de cidadãos à desnutrição e até a morte. Desse modo, enquanto o Estado negligenciar suas res-ponsabilidades, o problema perdurará.
Ademais, a desigualdade social também potencializa esse cenário. Segundo o ex-presidente americano Franklin D. Roosevelt: “A prova do nosso progresso não é se aumentamos a abundância dos que têm muito, mas se providenciamos o sufici-ente para os que têm muito pouco”. Entretano, o que se vê é a concentração de ri-queza aumentando e os pobres ficando mais pobres e vulneráveis. Em decorrên-cia disso, a classe baixa se viu ainda mais frágil com a crise, o que levou muitos à escassez extrema, enquanto outros desfrutavam de sua abundância. Então, é fun-damental combater a desigualdade social, visto que é uma das causas principais do problema.
Percebe-se, portanto, a necessidade de se enfrentar os obstáculos citados. Para isso, é impotante que o Estado - responsável pelo bem-estar social - distribua ali-mentos corretamente para a população carente, por meio da criação de um pro-grama nomeado " Fome não" - com a destinação de verbas estatais - visando tirar as pessoas da fome. Paralelamente, é imperativo diminuir a desigualdade social. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na magma carta.