A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 24/10/2025

O escritor Josué de Castro, em sua obra Geografia da Fome (1946), destacou que a fome não é resultado da escassez de alimentos, mas da má distribuição de renda e da injustiça social. Essa análise, embora escrita há décadas, continua atual no contexto brasileiro contemporâneo. Tal problemática evidencia que a fome no país é motivada, sobretudo, por desigualdades socioeconômicas e falta de políticas estruturais de combate à pobreza.

Em primeira análise, o aumento da desigualdade social e da pobreza extrema constitui o principal fator que impulsiona a fome no Brasil. De acordo com dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede PENSSAN), cerca de 33 milhões de brasileiros vivem em situação de fome. Nesse contexto, a vulnerabilidade social, portanto, impede milhões de famílias de garantir o direito básico à alimentação, estabelecido pelo Artigo 6º da Constituição Federal. Assim, enquanto uma minoria desfruta de abundância, grande parte da população permanece refém da escassez e da dependência de programas assistenciais.

Outrossim, a ineficiência das políticas públicas de segurança alimentar e a instabilidade econômica agravam o problema. O desmonte de iniciativas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Fome Zero, que visavam conectar produtores locais a famílias em vulnerabilidade, reduziu a eficácia das ações de combate à fome. Além disso, o aumento dos preços dos alimentos, impulsionado por crises globais e pela má gestão de recursos, torna o acesso à alimentação saudável ainda mais restrito.

O Governo Federal, enquanto órgão máximo de gestão social, por meio do Ministério do Desenvolvimento Social, deve restabelecer e ampliar programas como o Bolsa Família e o PAA, por meio de um recadastramento atualizado e maior incentivo à agricultura familiar, a fim de garantir a transferência de renda e o fornecimento de alimentos para que a insegurança alimentar seja minimizada. Ademais, o Ministério da Educação deve fortalecer o PNAE, garantindo refeições nutritivas nas escolas. Dessa maneira, ao seguir a visão humanista de Josué de Castro, o Brasil poderá transformar a fome em uma lembrança histórica, consolidando uma sociedade mais digna, justa e solidária.