A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 20/08/2026

A obra “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, retrata os impactos negativos que a fome pode acarretar no bem-estar social das pessoas de baixa renda. Assim, trazendo essa ideia ao cenário brasileiro contemporâneo, a insegurança alimentar no território nacional evidencia um problema social grave, afetando a garantia de um padrão de vida necessário aos cidadãos. Dessa forma, é possível listar como principais barreiras estruturais a falta de medidas estatais eficazes e o desperdício excessivo das indústrias.

Nesse sentido, para analisar esse óbice, é necessário destacar a Constituição Cidadã, a qual representa um avanço social ao assegurar a todos o direito de ter uma alimentação de qualidade. Porém, ela ainda se mostra insuficiente diante da inexistência de projetos públicos eficazes e da realidade corrupta da política brasileira em relação à distribuição de verbas. Dessa maneira, para que a Constituição seja seguida plenamente, é crucial que o poder público reconheça o alimento como um dever obrigatório e não apenas como um “gasto estatal”.

Além disso, vale ressaltar que a busca por lucros por empresas alimentícias apresenta um fator significativo para a persistência dessa problemática no Brasil. Isso ocorre, pois o fenômeno de “hiperprodução” — definido pela prática de produção além da demanda — tem como principal consequência a perda de grande parte da comida produzida, o que encarece o preço dos alimentos e reduz a quantidade disponível para consumo. Dessa maneira, consolidando essa relação de produção como um obstáculo na garantia da nutrição social no Brasil.

Portanto, nota-se que, mesmo com a existência de diretrizes que garantam o bem-estar social a todos, a fome ainda é frequente atualmente, sendo causada pela ineficácia estatal. Logo, cabe ao governo criar medidas públicas de fácil acesso, sustentadas por verbas governamentais, que, por meio da ampliação de restaurantes de preços populares em grande parte das cidades e criação de bancos de coleta que redistribuam mercadorias válidas que seriam descartadas, ajudem as pessoas em situações de vulnerabilidade. Assim, possuindo como principal finalidade a construção de uma sociedade justa e equilibrada, como é defendido pela Constituição Cidadã.