A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 08/06/2021

Fome: resultado de administração medieval

Durante a Idade Média, a Europa passou pela Grande Fome - período marcado pela morte de milhões de pessoas, em decorrência da falta de alimentos. Ainda que separados por alguns séculos, é possível comparar o contexto europeu com o contexto do Brasil contemporâneo, no que tange à fome. Ao analisar a problemática, percebe-se que ela está vinculada à fatores de desigualdade social e ações governamentais de administração precária, fazendo-se necessária a extinção dessa conjuntura.

Nessa perspectiva, é lícito destacar a administração feita pelo governo como causa do impasse. Sabe-se que, no Brasil, a agricultura é desenvolvida. Contudo, o modelo agrícola que predomina no país, hodiernamente, é o de exportação. Dessa forma, o mercado interno não é abastecido conforme sua demanda, o que gera escassez de alimentos e, consequentemente, alta nos preços. Isso, somado à diferença do poder de compra das diferentes classes sociais brasileiras, caracteriza uma situação preocupante. Segundo Peter Drucker, países subdesenvolvidos são, na verdade, mal administrados. Nesse sentido, entende-se a questão da fome como um problema cuja resolução deve ser de imediato.

Outrossim, é possível somar aos aspectos supracitados a desigualdade social presente na sociedade brasileira como motivação para o quadro de fome no país. No decorrer da República Velha, era comum a ocorrência de votos de cabresto, principalmente no interior do Brasil. É indubitável que a história é cíclica e episódios de corrupção mantém uma herança na política tupiniquim. À vista disso, verifica-se que a população brasileira tem em mãos um corpo governamental que falha em garantir o acesso democrático à alimentação, especialmente em regiões mais pobres. Assim, é legitimada a afirmação de Eçá de Queiroz: “políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelos mesmos motivos”.

Em virtude dos fatos elencados, são fundamentais ações que visem modificar o cenário de fome no Brasil. Logo, a máquina governamental federal, aliada às regionais, deve criar programas de renda básica para a população em situação de fome, por meio de  verbas direcionadas, estudos e análises, promovidos pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com o objetivo de identificar as famílias afetadas para, então, ter a capacidade de auxiliar esses grupos. Ademais, a massa social e a esfera judicial precisam fiscalizar os governantes, por meio de investigações e noticiações, a fim de eliminar práticas de corrupção, que impedem o desenvolvimento do país. Com essas medidas, o Brasil se torna um país bem administrado, o quadro de fome é abolido, e a realidade do país se afasta daquela vivida pela Europa, na Idade Média.