A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 09/06/2021

A questão da fome no Brasil é extremamente preocupante e caótica, visto que, de sete milhões de pessoas nessa situação em 2014, tem-se, atualmente, dezenove milhões, segundo o IBGE. O que era para ter diminuído, só aumentou, e isso mostra o quão deficientes são as políticas públicas do país, além de ter fatores motivadores como a concentração de terras e a alta taxa de desemprego. Logo, convém analisar e detalhar estes dois aspectos citados, bem como apresentar uma possível medida.

Diante desse cenário, pode-se destacar como fator motivador da questão da fome a altíssima concentração de terras no país. O cerne deste problema tem início em 1534 - período da colonização - quando Portugal distribuiu a alguns homens ricos enormes faixas de terra no Brasil, e, então, eles detinham todo o lucro da exportação do que ali era produzido. Desse modo, até hoje, ao invés de muitas pessoas terem acesso a terras para subsistência ou para vender os produtos, apenas uma pequena parcela da população tem; e, em vez de todos esse produtos (commodities, hortaliças, vegetais etc) serem usados para a alimentação dos brasileiros, são exportados, não dando chances para se acabar a fome. Isso é inadmissível, pois, segundo a Constituição Federal, a alimentação é um direito de todos, e, por isso, não pode se tornar privilégio de poucos.

Outrossim, a alta taxa de desemprego configura-se como outro relevante fator que motiva a problemática da fome. O Brasil já se encontra com cerca de 14,4 milhões de desempregados, segundo o G1, e é possível perceber que muito se deve à baixa contratação das empresas e comércios no atual momento, como também, pela grande exigência dos contratantes quanto ao nível de escolaridade, graduação e especialização, que, muitas vezes, acaba por excluir a população mais pobre que não tem fácil acesso a esses serviços, porém são os mais necessitados. Segundo Hegel, filósofo alemão, o Estado tem o dever de cuidar de seus filhos, dando a todos oportunidades iguais e condições para se alcançar o bem-estar, o que torna inaceitável a continuação desse cenário de desemprego e fome.

Destarte, compete ao governo - responsável por assistir à população e efetuar a Constituição - a criação e a execução de políticas públicas que proporcione, para todos, oportunidades de acesso a cursos profissionalizantes, a fim de se possibilitar a contratação por empresas, e uma redistribuição de terras, principalmente das partes de grandes propriedades que não estão sendo usadas para produção. Espera-se, com isso, que haja a atenuação desse problema da fome, que o princípio defendido por Hegel possa ser cumprido no Brasil e que a alimentação seja, de fato, um direito de todos.