A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 09/06/2021

No contexto da Revolução Francesa, a população encontrava-se imersa em uma vulnerabilidade alimentar intrínseca à econômia agrária pouco produtiva, sem armazenamento de estoques e suscetível a períodos de secas. Já no Brasil contemporâneo, a insegurança alimentar não se pauta na incapacidade produtiva - o país é o terceiro maior produtor de alimentos no âmbito global, mas na desigualdade social, tendo como fatores motivadores o desemprego e alta nos preços.

Na esteira da pandemia do Corononavírus e do aumento da fragilidade do mercado, com demissões em massa e fechamento de lojas e empresas, houve uma redução significativa nos postos de trabalho disponíveis. A perda da fonte de renda aumentou a pobreza no país e por conseguinte, a taxa de pessoas sem acesso regular e permanente à alimentação.

Ademais, observa-se que a desvalorização cambial levou ao barateamento dos produtos no mercado internacional e portanto, ao aumento das exportações, exercendo influência direta nos preços no mercado brasileiro. Segundo a Conab, produtos como o arroz e feijão, sofreram diminuição em sua área de cultivo em decorrência da maior rentabilidade das exportações e com a diminuição da oferta no mercado, passam a chegar com preço elevado às prateleiras. Nesse sentido, o maior contigente da população com recursos monetários limitados soma-se a alta dos preços, tornando recorrente em cidades como Brasilia, a chegada de pacientes em hospitais com diversos sintomas, que no fim, revelam-se como fome.

Em síntese, a questão da população faminta é intrínseca a desigualdade social e não pode ser naturalizada. A sociedade deve intervir fortalecendo iniciativas de ONGs e campanhas, com a finalidade de prover o acesso a alimentos à algumas famílias. Além disso, assim como não foi possível resolver a fome com o Edito de Máximo (tabelamento de preços) na Revolução Francesa, não é possível soluciona-lá com ações de curto prazo. Portanto, é imperativo que o Governo passe por uma minuciosa reforma estutural, que permita um maior crescimento econômico com enfoque em investimentos em políticas sociais, visando garantir uma vida digna aos cidadãos.