A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 10/06/2021
No filme “O Menino que Descobriu o Vento”, o garoto William Kamkwamba, por meio de sua inteligência, constrói um equipamento capaz de bombear água do subterrâneo para superfície, acabando, assim, com a fome de sua família e tribo, em um contexto de guerras por alimento e poder. Não obstante, no atual momento nacional, a questão da fome no Brasil se faz presente, não nos mesmos tons que o filme supracitado, mas com o mesmo princípio de subsistência. À vista disso, cabe citar os motivadores para essa situação: a ausência de solução da questão hidrológica brasileira e o alto índice de desperdício de comida por parte da população.
Antes de tudo, é importante salientar que as regiões brasileiras que mais sofrem pela falta de alimentos são os estados nordestinos - 70% de insegurança alimentar, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). Nesse contexto, é evidente que esse déficit é causado por terras secas e inférteis, uma vez que, se não há água nesses lugares, há ausência de nutrientes propícios à agricultura - vide o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), que calcula que cerca de 70% do território nordestino é ocupado pela Caatinga: bioma conhecido por solos secos e não agradável para o cultivo de alimentos sem a utilização de grandes quantidades de água.
Ademais, é fundamental apontar o alto índice de desperdício de comida por parte da populução como impulsionador do problema. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Brasil produziu, em 2019, alimentos para cerca de 850 milhões de pessoas, sendo que sua população é de cerca de 210 milhões, isto é, o país produz quatro vezes mais do que sua população precisa. Nesse fio, é visível que as pessoas desperdiçam grande parte dos alimentos que consomem, seja com restos de comida após um almoço ou em refeições exageradas durante o dia. Assim sendo, é inadmissível que esse cenário continue e perdurar.
É claro, portanto, que essa conjuntura deve ser mudada. Para tal, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Regional e Ministério da Ciência e Tecnologia criar ferramentas hídricas que atendam às necessidades dos nordestinos - vide a transposição do rio São Francisco, que salva, atualmente, milhões de pessoas que vivem nos rincões da Caatinga. Desse modo, essa ação terá a finalidade de prover água e, por consequência, desenvolver a agricultura nessas terras de pouca fertilidade. Destarte, cabe também a população brasileira ter mais consciência a respeito do consumo excessivo e do desperdício que acontece nos lares brasileiros. Dessa forma, o país se desenvolverá de forma mais isonômica, assim como a tribo de William Kamkwamba.