A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 11/06/2021
Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro foi alvo de críticas após afirmar que “falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira”. A frase do político mostra que o problema da fome ainda é uma realidade invisível no país, uma vez que os índices de insegurança alimentar cresceram drasticamente , em virtude de fatores administrativos , por parte do governo, e socio-históricos. Com efeito, esse desafio nacional exige do Estado ações mais contundentes para ampliar a alimentação digna para todos os brasileiros.
Em relação à desestabilização dos programas assistenciais de combate à fome, no Brasil, é fulcral destacar o papel potencializador desses desmontes sobre a universalização dos alimentos. Isso porque há uma ligação entre as políticas públicas de segurança alimentar e a negligência financeira do Estado em ofertar investimentos para garantir , de fato, o acesso à alimentação. Nesse sentido, a redução do incentivo fiscal e financeiro compromete a atuação dessas iniciativas estatais, uma vez que tais programas dependem do Estado para garantir a redução dos níveis de carência alimentar. A respeito disso, com a implementação do programa “Fome Zero” , durante o governo de Lula , a nação brasileira passou a usufruir de novas estratégias de enfrentamento a esse desafio social. Entretanto , sem o apoio do governo , esses projetos carecem de subsídios para cumprir com o que é garantido legalmente.
Além disso, a construção das condições econômicas da nação brasileira desempenha uma participação que compromete a aquisição de comida. Essa perspectiva relaciona-se ao fato de que , desde o período colonial ,o país prioriza a exportação dos produtos alimentícios em detrimento do suprimento das necessidades locais. Destarte, o que deveria ser produzido para atender às demandas nacionais torna-se uma utopia para grande parte da população brasileira, sobretudo, o recorte demográfico em situação de vulnerabilidade econômica. Diante disso, é notório que essa cultura excludente somada à desigualdade na distribuição de renda favorece a manutenção dessa distopia noçiva à democracia brasileira.
É evidente, portanto, a necessidade de maiores investimentos por parte do Estado para cumprir com o desenvolvimento nacional. Para tanto, o Governo Federal deve potencializar as estratégias do Ministério da Cidadania de enfrentamento à fome, como o Programa Federal de Distribuição de Alimentos - Prodea , por meio do aumento de verbas , as quais devem custear os programas alimentares. Essa ação visa melhorar os indíces de segurança alimentar da população brasileira, tendo em vista que a atuação estatal é capaz de ampliar as condições de acesso aos alimentos. Se assim for feito, o infortúnio da fome deixará de ser , verdadeiramente, uma realidade para o Brasil.