A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 11/06/2021
Durante a Idade Média no Ocidente, diversas pessoas adoeceram devido à subnutrição e à falta de acesso a alimentos, uma vez que a sociedade era estratificada e comer várias vezes ao dia era um luxo da nobreza. Ao voltar-se à realidade brasileira, o cenário citado não está tão distante para muitos, uma vez que, segundo ao IBGE, mais de 7 milhões de cidadãos passam fome no país. Isso se deve à prioridade econômica pelas exportações dos produtos primários e à elevada desigualdade social que assola o país. Logo, faz-se necessária a tomada de medidas que revertam tal problemática.
Em primeira análise, o acesso a alimentos essenciais (como frutas e proteínas) acaba por ser limitado ou inacessível às famílias mais carentes. Isso porque muito do que é produzido nas lavouras nacionais é enviado para fora por meio das exportações — sendo essas incentivadas pelo governo. É pertinente citar que, de acordo com o sociólogo Caio Prado Júnior, o Brasil não se despreendeu da cultura criada no Período Colonial, na qual abastecer outros países (metrópole) era mais importante do que suprir as necessidades locais. Sendo assim, as demasiadas exportações contribuem para o problema da fome ao limitarem a oferta — o que eleva os preços — de alimentos para a nação.
Outrossim, as desigualdades sociais agravam a questão da fome. Segundo aos dados do IBGE de 2014, a falta de dinheiro para comprar comida fez com que 2,1 milhões de famílias ficassem com, pelo menos, um integrante sem se alimentar durante 24 horas. Tal cenário corresponde a um descumprimento da Constituição Federal por parte do Estado, uma vez que, segundo essa, é objetivo fundamental desse órgão combater a pobreza e as desigualdades sociais. Com isso, há um abandono político a cada família carente, já que faltam intervenções efetivas para diminuir as desigualdades citadas. Portanto, a negligência dos órgãos públicos faz com que muitos não tenham o que comer.
Diante dos aspectos citados, é imprescindível que o Ministério da Economia aumente a proporção dos produtos primários que permanecem no país em relação aos exportados, por meio de incentivos fiscais aos principais exportadores que os levem a comercializar os produtos em território nacional com preços justos. Isso, a fim de elevar a acessibilidade aos alimentos por parte da população — priorizando as regiões mais pobres, como o Nordeste. Ademais, cabe ao governo federal reduzir as desigualdades sociais, por meio da realização de obras públicas que gerem empregos aos necessitados, com o objetivo de promover o acesso a comida para todos. Assim, o Brasil se afastará do contexto medieval.