A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 11/06/2021

O filósofo Jurgen Habermas afirma que a sociedade é dependente de críticas à sua própria tradição. Tal concepção pode ser aplicada na realidade do Brasil, país em que a questão da fome perdura há anos, uma vez que o desemprego expressivo da população atrelado ao baixo incentivo à agricultura familiar inviabilizam uma mudança social relacionada a essa questão. Diante desse panorama, cabe-nos avaliar tanto os entraves, quanto a participação do Estado na atenuação dessa problemática.

Ressalta-se, primeiramente, que a falta de comida na mesa dos brasileiros está diretamente relacionada à carência de oportunidades de emprego. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego no Brasil atingiu a taxa recorde de 14% no 1º trimestre de 2021. Tal fato lamentável culmina da falta de condições financeiras de inúmeros cidadãos para compra de alimentos, visto que não há acesso a recursos necessários para essa finalidade. Por exemplo, na obra biográfica “Quarto de Despejo”, Carolina Maria de Jesus descreve os desafios enfrentados por ela com a falta de comida, haja vista a ausência de um trabalho formal e, consequentemente, dinheiro para alimentar sua família, e, assim como ela, essa é a realidade de milhões de brasileiros. Nesse sentido, é indubitável que o Governo atue na transformação desse fenômeno que assola o corpo social.

Ademais, não há estímulo e apoio suficientes aos pequenos produtores no Brasil por parte do Estado. Pesquisas do programa das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estimam que apenas 14% de todo financiamento disponível para a agricultura vai para os pequenos agricultores e 23% das terras agricultáveis, número baixo, dado que a agricultura familiar depende da terra para sobrevivência. Dessa forma, não há recursos suficientes para a produção de alimentos em alta escala que poderiam ser destinados à população que atualmente passa fome, devido a produção no agronegócio se encaminhar quase que inteiramente para a exportação. Nesse contexto, torna-se evidente a existência de adversidades que impedem o progresso do Brasil na questão da erradicação da fome.

Tendo em vista essas circunstâncias em relação a fome no país, e o pensamento de Habermas, pode-se inferir que a sociedade precisa de modificações para não continuar repetindo os mesmos costumes. Então, cabe ao Governo Federal, fornecer a possibilidade de acesso à renda aos cidadãos, por meio do investimento em setores que geram emprego, como indústrias, a fim de que a população tenha condições, com essa renda, de comprar comida. Além disso, o Poder Público devete também promover a melhora nos incentivos à agricultura de pequeno porte, por intermédio de investimento em projetos como o Programa Nacional de Fortalecimento de Agricultura Familiar (Pronaf), com o intuito de garantir um aumento na produção alimentícia para que mais pessoas tenham acesso e haja melhora social.