A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 11/06/2021

De acordo com um censo de 2020 do IBGE, há no Brasil mais de 10 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave, na qual há falta de alimentos para os mesmos. Em contraposição, o país é uma dos maiores exportadores de produtos agrícolas do mundo. Nesse sentido, os elevados índices de fome decorrem da pobreza e da má distribuição de terras, e não de uma falta de capacidade produtiva do campo.

A primeira questão, a pobreza, é motivadora da fome. Isso porque, apesar de um PIB per capita de mais de 35 mil reais, há concentração dessa renda, pois há atualmente cerca de 27 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza de acordo com levantamento da FGV. Isso implica em uma parcela de pessoas que possuem segurança alimentar comprometida por não terem dinheiro suficiente para comprar comida.

Outra questão que favorece a persistência da fome é a má distribuição de terras. Dado um censo agropecuário do IBGE, cerca de 70% dos produtos agrícolas destinados à mesa da população brasileira são provenientes da agricultura familiar. Então, com a concentração de terras nas mãos do agronegócio para a exportação, sobram menos terras para o pequeno produtor que abastece o país. Com isso, há uma oferta menor de alimentos aos cidadãos e, consequentemente, um preço elevado e um maior número de pessoas com insegurança alimentar.

Em suma, a combinação desses dois fatores - a pobreza elevada e a má distribuição das terras - , leva ao quadro atual da fome. Isso significa que, com pouco dinheiro, a população tem menor poder aquisitivo para comprar alimento. Da mesma forma, com poucas terras para a produção familiar e concentração de terras cujos produtos são destinados à exportação, há refeições mais caras.

Desse modo, a fim de diminuir o preço da comida no Brasil, o governo pode criar um programa à favor da distribuição de terras e da agricultura familiar. Assim, por meio de subsídios aos pequenos produtores rurais e de compra de terras de latifúndio, há um aumento da produção destinada à alimentação da população, aumentando a oferta e diminuindo o preço. Com menores preços, os alimentos se tornam mais acessíveis, atenuando a fome no país.