A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 25/06/2021

A teórica política alemã, Hannah Arendt, ultiliza a expressão ‘‘Banalidade do Mal’’ para explicar o formato trivial de instalação de problemáticas em sociedades contemporâneas. Nesse sentido, a perspectiva analisada pela pensadora pode ser associada à fome no Brasil e as suas principais causas, já que a passividade governamental acentua essa situação degradante no cenário nacional. Dessa forma, essa vicissitude tem origem nas desiguldades socias e no caráter capitalista da sociedade.

Em primeiro lugar, é importante analisar de que forma as situações de miséria corroboram para o aumento da fome entre as populações nacionais. Embora a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 3, afirme que é dever do Estado erradicar a pobreza e a miséria e reduzir as desiguldades regionais, tal proposta não é notória na prática. Isso porque, a concentração de renda e produção no sudeste brasileiro eleva os quadros de segregação regional, o que torna regiões como o nordeste e o norte negligenciadas pelo amparo socioeconômico. Sendo assim, infelizmente, essa situação gera um quadro de fome nessas regiões, uma vez que um levamento feito pelo IBGE afirma que 60% da população maranhense enfrenta circusntâncias moderadas de fome diariamente. Por isso, medidas governamentais são necessárias para reverter tal panorama.

Em segundo lugar, cabe ressaltar que o caráter agroexportador da produção nacional reduz a disponibilidade de alimentos internos, o que acentua a problemática. Segundo o advogado indiano Mahatma Ghandi, o monopólio e o caráter capitalista da sociedade faz com que as multidões não possuam acesso aos bens necessárias à vida em uma nação, desse modo, gerando um regresso social. Seguindo essa lógica, o pensamento de Ghandi explica essa situação degrandante, já que o interesse na lucratividade dos grandes produtores nacionais faz com que a maior parte da produção agropecuária seja destinada ao mercado externo. Dessa forma, isso ocasiona uma falta de alimentos para o consumo interno e, consequentemnte, o aumento da fome no país.

Portanto, infere-se que assegurar a erradicação das desiguldades e a maior disponibilidade de alimentos são medidas para mitigar a problemática, por isso, cabe ao Estado efetivá-las. Primeiramente, o Governo Federal deverá criar uma política de infraestrutura alimentar, por meio de investimentos e subsídios para a produção, com o intuito de atenuar as desiguldades nas regiões com maior índice de fome. Segundamente, o Ministério da Agricultura deverá implantar um projeto para aumentar a disponibilidade interna de alimentos, por meio da determinação de frações da produção destinada ao mercado interno, com a finalidade de diminuir a alta exportação do agronegócio e garantir o abastecimento da nação. Por fim, tais medidas mitigarão a problemática no Brasil.