A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 16/06/2021

Na obra “Terra sonâmbula”, de Mia Couto, é contada a história de Kindzu, um rapaz que vive em Moçambique durante a guerra civil. Em certo momento, o protagonista vê uma cena que lhe chama atenção: no litoral, centenas de pessoas desesperadamente famintas cortam, para se alimentarem, pedaços de uma enorme baleia que havia encalhado, enquanto ela ainda estava viva. Infelizmente, a questão da fome não é exclusiva apenas da ficção, sendo muito presente no Brasil. Esta mazela é acentuada pela desigualdade social e motivada por diversos fatores, como o preço muito alto dos alimentos e a falta de ações governamentais eficazes para combatê-la.

Em primeira análise, é importante pontuar que a alta no valor dos alimentos é um fator condicionante à questão da fome no país. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), 70% do mercado interno nacional é abastecido pelos pequenos produtores e seus minifúndios. No entanto, eles vêm recebendo cada vez menos auxílio do governo, o que prejudica as produções e, pela Lei da oferta e da procura, aumenta os preços, tornando-os inacessíveis a muitos brasileiros. Desse modo, é visível que os contribuintes para essa elevação devem ser solucionados para tornar as refeições mais acessíveis.

Ademais, é necessário ressaltar que a falta de medidas governamentais sólidas e destinadas a esse entrave ajuda a perpetuá-lo. Conforme dados do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, além da falta de incentivo, os pequenos agricultores, graças aos altos impostos que precisam pagar, são os que mais sofrem com a questão da fome, haja vista que 40% da população rural está em insegurança alimentar, segundo o PRONAF. Logo, o governo precisa buscar meios de resolver essas adversidades para diminuir esse problema, tão alarmante nos dias atuais.

Portanto, urge que medidas sejam tomadas para que a fome deixe de ser uma questão tão preocupante no Brasil. Para isso, o Poder Legislativo, responsável pela criação de leis, deve propor uma Reforma Tributária, por meio de uma Assembleia Constituinte, a fim de que os impostos sob o pequeno produtor sejam mais justos, para que o percentual de pessoas em insegurança alimentar no campo diminua. Além disso, o governo, através do PRONAF, deve destinar mais verbas e subsídios aos minifúndios, para alavancar a diminuição dos preços de alimentos. Assim, tornar-se-á possível superar esse entrave tão cruel que assola o país, se afastando cada vez mais da ficção vivida por Kindzu.