A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 12/06/2021

Graciliano Ramos, escritor brasileiro, relata em “Vidas Secas” a problemática da seca e pobreza que assolam o sertão nordestino. Entranto, fora da literatura, a situação social converge com a narrativa, o que coloca o Brasil como um país desigual, local em que poucos tem muito e muitos possuem quase nada. Dessarte, convém analisar como a negligência estatal e a insuficiente distribuição de renda corroboram com a fome.

Inicialmente, é possível analisar como o Estado ao não promover políticas que promovam a alimentação populacional, contribui para o agravamento da fome no país. De acordo com dados da Agência Brasil, o auxílio a populações de baixa renda, bolsa família, contribui com a verba de 192 reais mensal, o que inviabiliza a vivência em um país onde o salário mínimo para a sorevivência é cerca de 1100 reais. Dessa forma, infere-se como inadmissível que em uma nação com um evento tão avassalador, o poder público tenha papel determinante em agravar o fenômeno.

Ademias, a concentração de renda inviabiliza a distribuição alimentar, ao não promover equidade na absorção alimentícia, o que contribui com fome. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil produz e exporta grande quantidade de alimentos, capaz de alimentar 1 bilhão de pessoas, mas promove a insegurança alimentar de cerca de 10 milhões de brasileiros. Destarte, lê-se como nociva a compreensão de que em um país em que a base economica é a agricultura, promova discrepância ao acesso alimentar, o que leva à desigualdades.

Fica evidente, portanto, a extrema necessidade da intervenção estatal para garantir o acesso alimentar para a população brasileira. É preciso, então, que o Ministério da Cidadania crie o programa “Comida na Mesa” em que ocorra o cadastro e levantamento de dados de populações carentes para a entrega de cestas básicas alimentícias mensalmente, por meio de verba pública, com o intuito de garantir uma mínima alimentação aos necessitados. Assim, haverá um caminho traçado para uma sociedade emancipada, em que a fome deixe de ser um problema no Brasil.