A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 25/06/2021
Na canção “Da Lama ao Caos”, de Chico Science e a Nação Zumbi, ocorre a denúncia do problema da fome nas regiões menos abastadas do Brasil. Além disso, é fato revelado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística que mais da metade dos brasileiros não possui planejamento alimentar. Isto é, não sabem se terão alimento em suas casas no dia seguinte. Logo, é preciso debater as origens dessa questão, que são duas: a hiperconcentração de bens, e o condicionamento desta pela raça.
Primeiramente, convém discorrer sobre um geógrafo brasileiro citado na música de Chico Science. Esse profissional se chamava Josué de Castro e escreveu um livro chamado “Geografia da Fome”, em que aponta que a razão para a falta de alimento no Brasil é a má distribuição de recursos, e não a inexistência deles. Em análise da situação internacional, à época, acreditava-se que continentes como a África e a América Latina sofriam de desnutrição por não possuirem solos férteis. Entretanto, Josué prova que os solos nessas regiões possuem muita capacidade reprodutiva, porém, os recursos cultivados neles são constantemente apreendidos por outros países, mais ricos. Dessa maneira, ocorre uma concentração exacerbada de posses em determinadas nações, precarizando as condições dentro das sociedades exploradas.
Além disso, é necessário levar em consideração um aspecto condicionante da exploração: a raça. Ou seja, os países que se encontram sob o julgo de outros, mais poderosos, são, majoritariamente, o lar de pessoas cuja etnia é marginalizada. Esse argumento pode ser reforçado pelo filósofo Frantz Fanon, que discute, em seus trabalhos, a influência da raça nas dinâmicas de colonialismo e imperialismo. Dessa maneira, Fanon afirma que é criada uma narrativa mítica de superioridade racial para justificar a extração abusiva de tesouros locais. No contexto do Brasil, sabe-se que mais de 50% da população é negra, e mais de 20% é indígena, segundo o IBGE. Além disso, também há grandes contingentes de asiáticos, contribuindo para a miscigenação existente no país. Assim, aplicando a lógica de Frantz Fanon a esse país sul-americano, tem-se que a raça é, de fato, variável determinante para a fome.
Em conclusão, é preciso que o Estado brasileiro proteja os bens nacionais da exploração imperialista. Isso pode ser feito por meio do desenvolvimento de políticas de sanção e pelo incremento dos impostos sobre a exportação de posses naturais. Assim, ocorrerá um desestímulo ao aproveitamento das terras brasileiras. Além disso, também se torna necessário desenvolver a autossustentação do país, por intermédio do investimento financeiro em pequenos produtores e da aprovação de uma reforma agrária que redistribua as terras de cultivo. Logo, a competitividade nacional aumentará, e mais recursos serão destinados ao povo do Brasil, sanando sua fome.