A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 12/06/2021
De acordo com dados divulgados pelo IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2020, cerca de 10,3 milhões de brasileiros vivem na insegurança alimentar, ou seja, não tem certeza se haverá alimento na mesa todos os dias. Com isso, nota-se que o problema da fome no Brasil está presente de forma intensa na realidade do brasileiro. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um problema de contornos específicos em virtude da desigualdade social e também da descentralização de pólos industriais com grande capacidade empregatícia no país.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a desigualdade social é um grande responsável pela complexidade do problema. Conforme Zygmunt Bauman, em sua obra Modernidade Líquida, o autor defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. Sendo assim, é evidente que o individualismo humano tem contribuído para a permanência de uma sociedade desigual, uma vez que o homem sempre busca acumular mais riquezas, não olhando para o próximo, mas sempre pensando em si. Assim, é necessário políticas públicas para melhor distribuição de renda, de forma a ascender os bens de todos.
Ademais, a descentralização de empresas de grande potencial empregatício intensifica a gravidade do impasse no país. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a maior região de industrialização no país é a Sudeste, onde concentra 61,63% das indústrias. Em consequência disso, acentua-se a desigualdade social e o número de desempregados nas demais regiões, já que essas grandes empresas têm capacidade de empregar milhares de pessoas; Logo, o Estado deve desenvolver um plano em parceria com a CNI com propostas para atrair indústrias, sejam elas nacionais ou internacionais, nas demais regiões brasileiras, aumentando a porcentagem de empregados e consequentemente diminuindo a fome na vida de inúmeros cidadãos.
Portanto, é necessária a adoção de medidas capazes de assegurar a resolução do problema. Para que isso ocorra, o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Economia e a CNI, devem criar juntamente com economistas do governo, um plano de captação e descentralização industrial, onde adote propostas de redução do preço da matéria-prima e no pagamento de impostos ao governo, em troca disso, que haja fixação de pólos ou sedes dessas empresas nas regiões onde há menos indústrias no Brasil. Dessa maneira, haverá expansão industrial, empregabilidade de milhares de cidadãos, redução da desigualdade nacional e principalmente a diminuição na porcentagem de brasileiros na incerteza do que se alimentar.