A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 19/06/2021
´´A Fábrica de Chocolate´´ é uma narrativa que no início alude a uma competição entre várias crianças na busca do bilhete premiado. Evoca atenção a irrisória condição financeira de Charlie, um garoto que já enfretava dificuldades para comprar uma barra de chocolate. Logo, respeitante à narrativa, a fome no Brasil também possui seus motivadores e demarca duas problemáticas: a elitização do suporte alimentício e a omissão das instituições nessa realidade.
A princípio, a concentração de alimentos no Brasil é produto de uma hierarquia dominante na distribuição de recursos básicos. Tal acepção orquestra com o cardápio dos africanos, no intervalo colonial brasileiro, o qual continha muitas sobras de comidas das famílias elitizadas e projetou o prato típico, a ´´Feijoada´´. Nesse viés, a equanimidade na distribuição de alimentos no país demarca não somente os ´´restos´´ para comunidade carente, mas também anula boa parte do suporte energético para o grupo citado. Sobre isso, o poder aquisitivo de compra reproduz tal problema, haja vista que, por si só, essa afirmação já explica a disparidade de compra nos mercantis e restaurantes, isto é, enquanto muitas comunidades usurpam do perfil consumista, outras sofrem a míngua por não possuírem o mínimo para sobreviver. Desse modo, a elitização na distribuição de comidas sequencia a fome no país.
Outrossim, a precupação singular em produzir, publicitar e vender o produto mercantil, sem a preocupação com o público, projeta o problema. Essa realidade contempla a filosofia de Santo Agostinho, ao discernir que a não percepção do mal sintoniza com o progresso desse. Analogamente, as instituições brasileiras que não identificam o cenário vigente compactuam com uma tipologia de mal, ou seja, a falta de alimentos para muitas famílias. Em vista disso, as ações institucionais que produzem tal problema advém da carestia dos produtos ofertados, que não condizem com a realidade das famílias carentes. Em suma, a omissão das instituições aristocratiza o serviço alimentício.
Portanto, compete aos agentes sociais sanar as motivações que reproduzem a fome no Brasil. Para isso, as prefeituras locais devem publicitar casas comunitárias nos bairros periféricos, com a presença de refeições gratuitas, mediante verbas estatais, posto que amenizarão os reflexos da hierarquia na economia, com fins na distribuição equit ativa dos alimentos. Em destino ao Ministério da Economia, propõe-se a projeção de novas alas alimentícias em restaurantes e mercantis, as quais ofertem produtos com um custo reduzido e anexos a promoções justas, por meio das mídias, pois revitalizá as funções institucionais, a fim de harmonizar tal cenário. Sem isso, o Brasil reproduzirá as mesmas injustiças que acometeram o personagem Charlie, que por não possuir um contato frequente com o chocolate foi o último a entrar na competição.