A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 04/07/2021

A Constituição Federal de 1988 prevê o direito à alimentação como inerente a todo cidadão brasileiro. Todavia, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a questão da fome no Brasil, dificultando, assim, a universalização desse direito social. Diante disso, urge analisar os fatores motivadores desse problema, sendo esses a negligência governamental e a desigualdade social.

É relevante abordar, primeiramente, que um dos fatores para que essa problemática continue é a negligência do governo. Comparando essa realidade ao pensamento do filósofo Thomas Hobbes, observa-se que há a quebra de um contrato social, já que por meio deste, os cidadãos abrem mão de sua liberdade e em troca, o Estado é responsável por tapar as lacunas sociais, como o desemprego e a fome. Com isso, ao não cumprirem o acordo social, diversas famílias sofrem com a ausência de amparo governamental, sendo obrigadas conviverem com a fome e a subnutrição. Sendo assim, é notório que a falta de medidas estatais contribuem para a questão da fome no Brasil.

Ademais, outro agente que fomenta a continuidade desse problema é a desigualdade social. Tal agente é explicado no filme ‘‘O Poço’’, a trama se passa em um tipo de prisão vertical, o que pode ser compreendido como as diferentes camadas socias que, ao chegar no topo, as pessoas possuem melhores condições alimentares, expondo a desigualdade entre eles. Fora do filme, essa é a realidade do Brasil, onde há a má distribuição de capital, fazendo com que o poder aquisitivo fique concentrado na mão de poucos, promovendo, assim, a fome e miséria. Como prova disso, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizou uma pesquisa, constatando que mais de 7 milhões de pessoas passam fome no Brasil, decorrente da diferença social. Logo, é inquestionável que a negligencia legislativa e a disparidade social sejam fatores motivadores da fome brasileira.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de combater esses obstáculos. Nesse viés, cabe às ONGs juntamente à Associação de Moradores de cada bairro realizarem campanhas de arrecadação de alimentos. Além disso, o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, órgão estatal responsável pelo fomento do agronegócio e fornecimento de alimentos, deve providenciar uma reforma agrária, distribuindo igualmente as terras, possibilitando, assim, o cultivo do próprio alimento. Em adição, com a ajuda de propagandas, tal órgão governamental, pode incentivar a agricultura familiar e urbana, a fim de reduzir a miséria e a fome no Brasil. Somente assim, a Constituição Federal de 1988 será exercida e os números publicados pelo IBGE reduzirão.