A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 14/06/2021

A Constituição federal de 1988 assegura o direito à alimentação, como fundamental a todo cidadão. Entretanto, analisando o Brasil, nota-se que esse artigo é contraditório, o que dificulta a efetivação dessa garantia. Diante disso, convém analisar dois aspectos importantes: a má distribuição monetária e os fatores climáticos.

Em primeiro lugar, pode-se apontar a má distribuição de renda como fator que corrobora para a problemática. Segundo o geógrafo brasileiro Milton Santos, em seu texto “cidadanias mutiladas”, a democracia só seria efetiva quando atendesse toda a sociedade. Porém, é evidente que a falta de distribuição monetária mantém a maioria da população em condições de pobreza, isto é, o índice de fome no país aumenta, não seguindo a ideia democrática do geógrafo. Posto isso, de acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), no Brasil, o 1% mais rico concentra quase um terço da renda total do país. Dessa forma, fica claro que medidas são necessárias para que a distribuição de renda seja mais equitativa.

Ademais, conforme um levantamento realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, cerca de 48% da população do semiárido brasileiro está em situação de fome. Desse modo, observa-se que que as condições climáticas colaboram para o agravamento da temática, visto que, segundo o ASA (Articulação do Semiárido Brasileiro), a região apresenta baixa precipitação anual, fator que dificulta as atividades agrícolas, visto que, esta, é altamente depende do clima. Consequentemente, a produção de alimentos decresce, fazendo com que muitos indivíduos passem fome.

Portanto, é de suma importância que medidas sejam tomadas para a resolução desse impasse. Logo, cabe ao Tribunal Federal – órgão que constitui a instância máxima da nação – desenvolver ações para tratar do tema, por meio de leis que direcionem os recursos necessários para que a renda seja distribuída igualmente para a população. Além disso, o Ministério da Agricultura deve pensar em inovações que reinventem o sistema agrícola. Isso pode ser feito através de pesquisas com diversos especialistas morfoclimáticos. Assim, espera-se que a Constituição federal entre em vigor.