A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 14/06/2021
Durante o período escravocrata brasileiro, aproximadamente 353 anos, os imigrantes africanos eram submetidos a condições de precariedade, por isso, era comum que os escravos tivessem pouca comida e de má qualidade, pobre em nutrientes, o que era incoerente com suas jornadas de trabalho desumanas. Apesar da abolição da escravidão, a fome persiste na sociedade nas camadas menos favorecidas, sendo motivada pela displicência do governo e pelo caráter consumista de desperdício dos demais. Essas realidades devem ser corrigidas, para que toda a população tenha acesso a alimentação de qualidade.
É importante ressaltar, em primeiro plano, a responsabilidade do governo de sanar a fome. Conforme a teoria do Contrato Social, de Russeau, os governantes devem dar as condições necessárias de sobrevivência ao povo, o que inclui o sustento. Destarte, um dos motivos da persistência desse problema é a negligência em contribuir com nutrição de qualidade para as áreas mais necessitadas, bem como fomentar condições de subsistência. Dessa forma, com a ausência de solo fértil em regiões mais áridas, oportunidades de emprego, estudo e ascensão social, a fome se torna realidade, a qual tem sido ignorada pelas autoridades responsáveis, ao não tomarem as medidas cabíveis.
Nessa conjuntura de uma sociedade desigual, a acumulação de riquezas de alguns, suscita ausência total em outros, o que é, de fato, projetado inexoravelmente no contexto alimentar, assim como no filme “O poço”, em que as pessoas das camadas acima desfrutam da provisão e, sem pensar nos indivíduos dos níveis inferiores, desperdiçam e exageram, de modo que só os resquícios sobram para os pobres. Do mesmo modo, ocorre hodiernamente, visto que o consumismo e o desperdício são frequentes pela compreensão da obsolescência programada, da primordialidade de consumo e da banalidade com que se trata os bens, assim como a comida, ocasionando consequente escassez para os menos privilegiados, vítimas da futilidade do “ter”.
Infere-se, portanto, a urgência de mudança dessa situação. Para isso, o Ministério da Agricultura deve promover o programa “Alimentação saudável, um direito de todos”, que consiste em duas principais ações: dar primazia do consumo interno alimentício, em detrimento do consumo externo, para que haja melhor distribuição dentre as regiões do país. Além disso, deve dar a possibilidade de as centrais de abastecimento doarem ou venderem abaixo do preço os produtos que seriam desperdiçados, a fim de que todos possam ter uma nutrição digna e, assim, desempenharem melhor suas funções para ascenderem socialmente. Desse modo, a sociedade brasileira cumprirá o seu papel impulsionador da dignidade humana.