A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 19/06/2021
Segundo o ativista francês Victor Hugo, o progresso roda constantemente sobre duas engrenagens, fazendo andar uma coisa enquanto alguém é sempre esmagado. Assim como no Brasil, é possível observar o cenário contraditório entre ser um grande produtor de alimentos e apresentar índices alarmantes de fome e pobreza. Entre as razões relativas à tais desventuras, releva-se a má distribuição de renda, tal como a maioria dos produtos agrícolas tornarem-se artigo de importação.
Em princípio, é possível evidenciar a ineficiente oferta rendária para a população brasileira. Conforme estudos do IBGE, mais de sete milhões de cidadãos habitam com a fome no Brasil. Este fato decorre da nítida desigualdade social, em que numerosas famílias encontram-se em condições de carência por não obterem um cargo justo ou ainda por não receberem uma remuneração suficiente para sustentar plenamente a esfera familiar.
Para mais, a exportação das manufaturas agrícolas brasileiras também é outra causa motivadora. As zonas rurais, mesmo dispondo de uma agricultura mais desenvolvida, são as regiões que evidenciam maior índice de fome, refletindo um percentual de 6,3% de indivíduos que vivem em situações precárias. Dessa forma, é fundamental que suceda uma distribuição mais igualitária de receita para esse grupo.
Atentando, portanto, à reflexão do filósofo brasileiro Eduardo Marinho, de que não resta competição onde há desigualdade de condições e sim covardia, torna-se crucial a necessidade de reagir contra essas adversidades. Para tanto, com o intuito de garantir que a população tenha subsídio alimentício e alterar a precariedade na distribuição de renda, cabe ao Supremo Tribunal Federal concretizar novas diretrizes que encaminhem os recursos vitais para a disseminação uniforme de renda. Isso pode ser realizado mediante à contenção do domínio estatal sobre os patrimônios financeiros, tornando-se viável destruir a engrenagem esmagadora.