A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 03/08/2021
A obra “Os Retirantes”, do pintor Cândido Portinari, exibe uma família de emigrantes nordestinos, os quais expressam em seus corpos magros e rostos desesperados, a fome, miséria e a luta pela sobrevivência em um país desigual como o Brasil. De forma análoga à obra, nota-se que muitos cidadãos brasileiros ainda convivem com os impasses associados à insegurança alimentar. A partir desse contexto, é fundamental entender os principais motivadores da fome no país.
É válido destacar, de início, que a escalada da fome no Brasil tem relação direta com a visão predominantemente mercantilista da sociedade atual. Isso acontece porque, com base no pensamento do economista Celso Furtado, a mercantilização dos produtos essenciais, como o acesso à alimentação, contribui para manter uma ideia de subdesenvolvimento no país, a qual é uma estratégia para manutenção da exploração e retirada dos direitos da população brasileira, assim, é evidente que controlar o acesso à alimentação significa deter poder. Tal questão é tão grave que foi denunciada anos atrás, em 1960, por Carolina Maria de Jesus, em seu livro “Quarto de Despejo”, o qual relata a realidade enfrentada por moradores da favela de Canindé, sujeitos às condições subumanas, sob o espiríto de “50 anos em 5”, que, claramente, se refeletiu apenas na construção de Brasília, enquanto, em contrapartida, mais e mais pessoas viviam à margem da sombra desse “crescimento social”.
Convém pontuar, ainda, que a questão da fome está relacionada com a latente desigualdade socioeconômica presente no país. Isso ocorre porque, assim como discutido pelo geógrafo brasileiro Florestan Fernandes, a fome é resultado da má distribuição de riquezas, que cada vez mais está concentrada nas mãos de menos pessoas. Dessa forma, grande parte da população brasileira não têm renda suficiente para se alimentar, o que gera a exclusão de grande parcela da população e aumento dos abismos sociais no Brasil. Prova disso, são os dados divulgados pelo IBGE em 2020, os quais apontam que apenas 1% da população brasileira detém 28,3% da economia nacional. Tais dados provam que alguns poucos monopolizam renda e poder, enquanto a imensa maioria não tem acesso à segurança alimentar no país.
Infere-se, portanto, a necessidade de combater a fome no Brasil. Sob esse viés, o Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério dos Direitos Humanos, deve conceder um auxílio alimentação para famílias mais vulneráveis, que vivem com uma renda de até um salário mínimo. Tal ação deve ocorrer por meio pode ser um Projeto Nacional de Combate à Fome, que visa erradicar a fome e a desigualdade socioeconômica presente no país. Essa ação deve ser tomada com o objetivo de tornar o Brasil um país mais justo e menos desigual.