A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 08/09/2021

O filósofo Raimundo de Teixeira Mendes adaptou o lema “Ordem e Progresso” não só para a Bandeira Nacional, mas também para a nação que enfrenta inúmeros desafios para o seu desenvolvimento. Lamentavelmente, entre eles destaca-se a fome, problema recorrente na sociedade brasileira. Essa problemática deve-se, principalmente, à inoperância estatal e à alienação social.

A priori, é notório que a negligência do Poder Público é um problema. Nessa perspectiva, Otto Von Bismarck, em 1880, afirmou que o Estado deve garantir o bem-estar social. Entretanto, na medida que existem cidadãos vivendo, no Brasil, sem acesso à alimentação, direito fundamental garantido pela Carta Magna, há uma falha grotesca da função do Estado, segundo os ideais de Otto. Por consequência disso, uma parcela da população, na maioria dos casos são indivíduos de periferia ou de baixo prestígio financeiro, têm esse direito violado. De acordo com o Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso, no período de 2018 a 2020, a insegurança alimentar grave atingiu 7,5 milhões de brasileiros. Isso ocorre, pois essas pessoas vivem à margem da sociedade, uma vez que há uma falta de políticas públicas para resolver esse impasse. Desse modo, é inadiável que o bem-estar social seja alcançado, a partir de medidas governamentais.

Outrossim, uma grande parcela da população mostra-se alienada. Sob esse viés, a célebre obra “Paradoxo da Moral”, de Vladimir Jankélévitch, exemplifica a cegueira ética do homem moderno, ou seja, a passividade dos indivíduos frente aos impasses enfrentados pelo próximo. De maneira análoga, percebe-se que a fome é um forte alicerce na estagnação social. Essa situação ocorre, infelizmente, pois muitos membros da sociedade não se movimentam em prol da erradicação dessa problemática, pelo contrário, muitas pessoas adotam uma posição individualista, por não mensurar as consequências que a falta de comida causa, como a desnutrição, raquitismo, anemia, vários distúrbio e doenças relacionadas a falta de vitaminas etc. Logo, torna-se essencial superar esses preceitos que atestam, sobretudo, uma desigualdade no acesso aos alimentos.

Portanto, é necessário que haja uma intervenção nesse cenário. Destarte, o Governo Federal, meio de parcerias com empresas privadas e Organizações Não Governamentais, deve fazer ações de doações de alimentos  em locais com maior incidência da fome. Essa ação será feita com o intuito de promover a erradicação dessa problemática, para que a sociedade não naturalize a alienação que a permeia. Dessa forma, o Brasil se tornará uma nação da ordem e do progresso, como proferiu Raimundo de Teixeira Mendes.