A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 16/06/2021
Na obra, “A Cidade do Sol”, de Tommaso Campanella, é retratada uma sociedade utópica, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Todavia, fora da trama, a realidade brasileira distancia-se da utopia descrita por Tommaso, já que a fome é uma chaga social a ser sanada. Decerto, isso decorre tanto pela omissão governamental quanto pelas disparidades sociais vigentes. Assim, torna-se fundamental discutir e buscar soluções que atenuem esse entrave, a fim de promover o bem-estar da população verde-amarela.
Sob esse viés, salienta-se que o descaso estatal é uma das principais causas da problemática. Nessa perspectiva, a Constituição Federal de 1988 - dita Constituição Cidadã - garante que todos os indivíduos são iguais perante a lei e possuem direitos inalienáveis, inclusive o de acesso à alimentação. No entanto, o panorama vivenciado no Brasil contraria a Carta Magna do País, visto que parcela da população brasileira, cerca de 9% segundo o IBGE, não têm acesso à comida. Dessa forma, enquanto houver passividade nos setores políticos, a Constituição não sairá do papel para ser cumprida.
Além disso, ressalta-se que as disparidades sociais são barreiras que corroboram esse quadro deletério. Nessa ótica, percebe-se que o cenário vivido pelos brasileiros é fruto de um passado histórico, iniciado no Período Colonial, e que ecoa no Brasil do século XXI. Certamente, tal raiz histórica acentua as desigualdades entre as pessoas e entre as regiões, como na cidade de Melgaço, no Pará, que possui o menor IDH do País. Consequentemente, a questão da fome é agravada e disseminada entre as áreas do Brasil, exemplo do município paraense. Destarte, torna-se inviável usufruir de uma nutrição adequada enquanto apanágios básicos, como a alimentação, forem privilégios, e não direitos.
Logo, diante dos fatos supracitados, medidas devem ser tomadas para atenuar essa questão que impede o progresso do País. Nesse sentido, é dever do Poder Executivo, em específico o Governo Federal, criar, em parceria com empresas alimentícias, como a Seara e a Sadia, o “Plano de Acesso à Alimentação”. Tal projeto contará com equipes de assistentes sociais, contratados pelo Governo, que mapearão áreas precárias, exemplo comunidades carentes e assentamentos, no intuito de fornecer ao banco de dados uma relação de famílias que necessitem de alimentos e outros mantimentos, com o fito de garantir que a comida chegue a mesa dessas pessoas e, desse modo, as desigualdades e a falta de alimentos sejam reduzidas. Dessa maneira, a questão da fome será coibida e a coletividade alcançará a utopia idealizada por Campanella.