A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 24/06/2021

Durante o Período Colonial a economia local era baseada em exportação, dessa forma todo o alimento produzido deveria ser exportado para a Europa, o que gerava crise alimentar constantemente. De maneira análoga, hodiernamente esse cenário assemelha-se ao cotidiano de milhões de brasileiros, o quais todos os dias buscam ultrapassar a barreira da fome. Nesse sentido, não há dúvidas de que a questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores ocorrem devido não apenas a prioridade à exportação de alimentos, mas também a intensa concentração fundiária.

Vale pontuar, de início, que a economia voltada para o mercado externo é uma herança colonial. Nessa perspectiva, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o agronegócio é o maior produtor de alimentos no país, entretando é o que menos alimenta os brasileiros, pois 70% do alimento que vai para a mesa das famílias é produzido pela agricultura de pequeno porte. Sob essa ótica, observa-se como a má distribuição da comida ainda contribui para a fome no território nacional. Dessa forma, enquanto não houver uma equidade, muitos habitantes permanecerão nessa situação, haja vista a agricultura familiar não conseguir suprir essa alta demanda.

Além disso, outro fator que contribui para a fome no país é a expressiva concentração fundiária. De acordo com a História, em 1850 com a Lei de Terras, todas as terras desocupadas no território brasileiro passaram a ser do Estado, sendo possível comprar. Nesse sentido, fica nítido que a classe menos favorecida foi prejudicada, não possuindo local para produzir seu próprio alimento e tampouco com condições de comprá-lo. A partir disso, percebe-se que as causas dessa problemática estão associadas à privilégios históricos, com isso políticas publicas são os principais meios para a correção desse cenário.

Fica evidente, portanto, que assim como a prioridade ao mercado externo, a má distribuição de terras também é um dos fatores para esse contexto. Logo, faz-se necessária uma ação do Estado, tendo em vista ser o principal ator social, por meio do Ministério da Economia em parceria com o Ministério da Agricultura, fornecendo incentivos fiscais para os agricultores de pequeno porte, assim esses poderão produzir mais alimentos sem se preocupar com os altos tributos. Além disso, deve haver uma reforma agrária, haja vista muitos latifúndios no Brasil serem improdutivos e sem função. Com isso, espera-se que esse quadro mude e essa problemática amenize gradativamente.