A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 01/07/2021

Na Crise de 1929 a instabilidade econômica e social tornou-se presente em inúmeros lugares do mundo, fazendo com que a pobreza e, principalmente, a fome se propagassem em grandes proporções. Fora dessa alusão histórica, desde o Período Colonial, a questão da fome no Brasil é um problema que perdura até os dias atuais na sociedade. Nessa perspectiva, muitos são os fatores que motivam a insegurança alimentar na Nação, no entanto, destacam-se a desigualdade social e a ineficácia de políticas públicas.

Diante desse cenário, pode-se afirmar que as diferenças sociais fazem parte do agravamento deste imbróglio. Sendo assim, segundo Ariano Suassuna “É muito difícil vencer a injustiça secular que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos”. Nesse sentido, nota-se que uma boa parte da população ainda não possui recursos financeiros suficientes para conseguir suprir as necessidades básicas da sua família, como a alimentação. Dessa forma, estes ficam vulneráveis e expostos as consequências que a insegurança alimentar pode gerar, a inanição é um desses exemplos.

Igualmente, salienta-se, a ineficiência de políticas públicas como mais uma das causas dessa adversidade. Diante disso, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, afirmou que o Estado está em crise. Assim, para atender as demandas do capital, este negligencia os ditames que são de sua responsabilidade. Dessa maneira, é perceptível que apesar da alimentação ser um direito de todos, de acordo com a Constituição brasileira, esta promulgação não é efetivada de maneira eficaz, fazendo com que os direitos dos cidadãos fiquem apenas no papel. Logo, faltam a realização de ações concretas pelas autoridades competentes para resolver esta questão.

Destarte, para que este óbice deixe de existir no contexto atual, medidas precisam ser tomadas. Para tanto, o Estado, como ente provedor do bem-estar social, deve impulsionar uma maior fiscalização e efetivação das leis e dos órgãos competentes para o combate à fome, direcionando um maior percentual de verbas para a contratação de pessoas especializadas nessa área, com o intuito de cumprir o que está preceituado na Constituição Federal de 1988. Além disso, a sociedade precisa se mobilizar, por meio de ONG’s e propagandas em redes sociais, para conseguir arrecadar alimentos para serem direcionados a doação, com o fito de auxiliar as pessoas que estão em situação de vulnerabilidade.