A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 11/08/2021

O livro modernista “Vidas Secas”, do escritor brasileiro Graciliano Ramos, retrata a situação de uma família do sertão nordestino que, em busca de melhores qualidades de vida, enfrenta as adversidades que afligem grande parte do mundo: a miséria e a fome. Fora da literatura, quando se é vislumbrado a atmosfera da subalimentação no Brasil, esse quadro mostra-se preocupante. Desse modo, tanto o exíguo apoio governamental, quanto a manutenção das desigualdades sociais corroboram para a permanência dessa problemática no território tupiniquim.

Em primeira estância, cabe destacar como a manutenção, por parte do Estado, de uma política que avança em passos letárgicos contribui para a persistência desse panorama no cenário nacional, visto que favorece o agronegócio e a cultura de exportação. A partir da teoria da Instituição Zumbi, o sociólogo polonês Zygmunt Baumman diserta acerca da falta de qualificação de alguns setores sociais ao exercerem as funções destinadas a eles. Sob este viés, nota-se que a fome no Brasil está associada, em grande parte, a ineficiência das políticas públicas governamentais destinadas aos pequenos proprietários de terra, bem como a conservação de um sistema elitista criador de graves disparidades socioeconômicas.

Ademais, é de suma vitalidade pontuar as fortes desigualdades socioeconômicas existentes no Brasil como um agente catalisador dessa triste realidade, já que agrava a situação da subnutrição na sociedade moderna. Segundo o físico inglês Isaac Newton, para toda ação existe uma reação de igual intensidade. Nessa perspectiva, a má distribuição de renda no país, fenômeno característico do sistema capitalista, reforça, como consequência, o quadro de miséria e a crescente situação da fome no corpo coletivo brasileiro. Desse modo, regiões como o Nordeste e a parcela populacional mais pobre do país permanecem a margem da sociedade, vivenciando quadros desumanos de condições de vida.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar esse alarmante panorama nacional. Para tanto, urge que o Poder Federal, por intermédio de subsídios tributários, aplique maiores investimentos na área da agricultura familiar, de modo a fomentar o comércio interno de alimentos e possibilitar uma melhor distribuição dos produtos primários no país. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação, por meio de trâmites legais, promover o acesso da população pobre ao ensino de qualidade em todos os municípios, no intuito de aumentar a renda familiar, através da melhor inserção dos indivíduos no mercado de trabalho, e diminuir o quadro de fome no território tupiniquim. Destarte, será possível evitar a conjuntura social apresentada no livro “Vidas Secas”.