A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 19/06/2021

A Teoria Malthusiana, proposta por Thomas Malthus, aponta a relação entre o crescimento populacional e a fome, afirmando o aumento de tal problemática na medida em que a taxa de natalidade crescia. Sob essa ótica, tal conceito assemelha-se ao Brasil vigente, uma vez que, além desse, inúmeras teses são defendidas a respeito dos motivadores da fome. Nesse sentido, apresentam-se dois potencializadores do tópico abordado: a negligência governamental e a desigualdade social. Com isso, evidencia-se a necessidade da criação de mecanismos capazes de maximizar o debate sobre tal questão, a fim de instruir a população sobre como lidar e ajudar a minimizar a fome no Brasil.

É relevante abordar, em princípio, a negligência que o governo possui com a fome, a qual cresce diariamente em virtude desse descuido. Desse modo, tal afirmação pode ser aludida ao livro “Vidas Secas”, que retrata fielmente a condição de miserabilidade vivenciada por imigrantes que fugiam da seca no Brasil no século 19, mostrando a luta pela sobrevivência de um grupo que lidava com a carência de alimentos e a ignorância das autoridades em relação à mudança de tal cenário. Sob esse viés, o elo de comparação entre a obra e a realidade atual dá-se pela falta de suporte recebida pelos cidadãos, os quais se veem em condições desumanas e precárias ao lutar contra a fome, além de vivenciarem experiências traumáticas durante tal momento. Logo, é notável que, com o maior apoio estatal, a população necessitada poderia usufruir de produtos básicos e inalienáveis a qualquer pessoa.

Somado a isso, deve-se salientar que a notável desigualdade social é um dos fatores que, além de motivar, torna ainda mais visível o fenômeno da fome no território brasileiro. Nesse viés, tal fato pode ser exposto no “Índice de Gini”, coeficiente que mostra a concentração de renda no país e que classifica o Brasil como sendo um dos dez maiores possuidores de tal problemática. Dessa forma, analisa-se que a concentração de renda e, consequentemente, a desigualdade social são fatores que agravam a fome na medida em que, enquanto alguns indivíduos possuem poder de compra para o que almejam, outros não apresentam condições para alimentações básicas, e tal dinâmica que beneficia apenas a população com poder aquisitivo, acaba por aumentar os preços dos produtos, reiniciando um ciclo miserável e extremamente desigual de fome e vulnerabilidade. Portanto, nota-se a discrepância social entre indivíduos, o que torna clara, cada vez mais, a necessidade de suporte à população carente.

Sendo assim, percebe-se, portanto, a relevância do Poder Executivo Federal -responsável pela efetivação de políticas públicas-, o qual poderá destinar verbas a projetos contra a fome. Assim, por meio da distribuição massiva de cestas básicas, a população carente poderá ter o Estado como agente de combate ao fenômeno abordado. A partir disso, a Teoria Malthusiana poderá cair em desuso.