A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 20/06/2021
Em meados da década de 70 houve o desenvolvimento de práticas agrícolas que aumentariam drasticamente a produção de grãos e acabaria com a fome mundial, tal cenário denominou-se de Revolução Verde. No entanto, a conjectura proposta não se concretizou, uma vez que a insegurança alimentar atinge cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo, sendo 7 milhões de brasileiro, segundo o institudo Reuters. Dessa forma, a persistente questão da fome é negativa à sociedade, seja pela desigualdade social seja pela redução da autonomia do indivíduo.
Em primeiro lugar, nota-se que a revolução agrícola supracitada beneficiou contundentemente os grandes latifundiários, tendo em vista a especialização produtiva de commodities para exportação, de maneira que precarizou o acesso dos mais pobres aos alimentos, observado pelo expressivo número de famintos. Nesse sentido, de acordo com a obra “Por uma outra globalização”, do geógrafo Milton Santos, a expansão do capitalismo exploratório e o aprimoramento da técnica em nível global permitiram que a produção estivesse a serviço do capital; logo, o setor primário direciona o plantio para gêneros agrícolas não alimentícios, como a soja, reduzindo, assim, a oferta de gêneros alimentícios para a população mais pobre. Desse modo, a fome mundial persiste em decorrência da desigualdade social no que se refere a uma agricultura desassociada das necessidades humanitáias.
Além disso, ressalta-se que a insegurança alimentar possui consequências reais para o desenvolvimento pleno do indivíduo em sociedade, haja vista que a alimentação é basilar para sobrevivência humana. Diante disso, segundo o psicólogo A. Maslow, a comida é fundamental na hierarquia das necessidas do ser, sendo a base da pirâmide - organidada em escalas como fisiologia e auto realização; desse modo, a fome impede que o cidadão se desenvolva em sua capacidade social, política e individual, haja vista a dificulade empregatícia e familiar. Assim, destaca-se que a falta de comida, de modo constante, reduz a autonomia do homem e aumenta sua dependência frente ás necessidades básicas.
Destarte, infere-se que a fome presente na sociedade globalizada hodierna é prejudicial ao ecossistema humano, uma vez que perpassa a desigualdade social e o estreitamento das liberdades individuais. Portanto, cabe ao Estado, na figura do Ministério da Cidadania, incentivar os pequenos produtores rurais, por meio da disponilização de créditos bancários, ao plantio de gêneros alimentícios destinados ao bem social e a redução da insegurança alimentar. Dessa maneira, tais produtores terão a capacidade de expandir a produção agrícola de forma acessível, no quesito custo, à população mais pobre. Dessarte, a partir das mudanças sociais, é possível que a fome seja superada.