A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 27/06/2021
Segundo Thomas Malthus, economista britânico, o causador da fome no mundo seria o excedente populacional, isto é, haveria muitas pessoas para pouca comida. Contudo, em um cenário em que, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 30% da comida mundialmente produzida é desperdiçada devido à má administração governamental, tem-se que essa teoria não se encontra totalmente correta. De modo a fazer necessária, então, uma análise da concentração de renda e da falta de investimentos sociais do governo como as principais causas da fome no Brasil.
Nesse contexto, de acordo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a ausência do poder de compra da população mais carente, proveniente, por sua vez, da falta de renda, é a responsável pela miséria alimentar desses, uma vez que só há visibilidade social para aqueles que detêm um patrimônio econômico significativo, como evidência os diversos financiamentos do governo para os latifundiários em momentos de crise. De forma a delimitar quem pode ter o acesso aos direitos básicos, a medida em que finca, de vez, as desigualdades sociais vigentes; concretizando, assim, um país que mesmo produzindo comida para 1,6 bilhão de pessoas mata 15 brasileiros de fome por dia.
Frente a isso, fica evidente que enquanto a concentração de renda é a responsável pela incapacidade da classe mais baixa de comprar alimentos, a ausência de programas de proteção social do governo é o que mantém a ocorrência da fome na sociedade brasileira, visto que falta a geração de empregos, auxílios e inclusão social. Com isso, desficcionando a realidade apresentada no filme “Jogos Vorazes”, na qual, na presença de uma sociedade marcada pelo ideal de que apenas os mais poderosos têm o direito a receber a atenção do governo, os mais pobres têm que se ariscarem em jogos mortais para obterem comida e , desse jeito, sobreviverem. De tal forma a criar um cenário de desperdício em que os ricos, representantes de 1% da população, têm comida de mais e os pobres, por outro lado, de menos.
Portanto, com base no exposto, faz-se dever do Ministério da Economia (ME) a distribuição de renda para a população carente por meio da criação de auxílios, semelhantes ao bolça família, mas não sendo restrito apenas às pessoas com filhos, capazes de concretizar a meta de tornar igualmente visível toda a sociedade ao diminuir a concentração de renda da classe abastarda. Ademais, visando findar, por completo, os fatores motivadores da fome no Brasil, o ME também deve elaborar novas formas de geração de emprego para as classes mais baixas que ao requalificarem a administração do Estado sobre os alimentos do país, redistribuem o poder de compra entre as diferentes hierarquias sociais, comprovando, pois, que Malthus estava errado, há sim comida para todas as pessoas do mundo.