A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 22/06/2021

“Construímos muitos muros e poucas pontes”. Essa afirmação do teólogo e cientista inglês Isaac Newton pode ser facilmente aplicada ao comportamento da sociedade diante da questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores, já que essa problemática é marcada na sociedade por concentrar a construção de barreiras sociais e a escassez de medidas para a sua erradicação. Assim, esse panorama tem origem não só na ineficiência de políticas públicas como também no grande desperdício de alimentos. Assim sendo, cabe avaliar os fatores que favorecem tal quadro.

A princípio, deve-se ressaltar a ineficiência de políticas públicas para combater a fome no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 3,5% dos brasileiros covivem com a fome, ou seja, mais de 7 milhões de pessoas. Nesse sentido, como 70% da população é alimentada pela agricultura familiar, segundo o último censo agropecuário do IBGE, observa-se que iniciativas como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) tem falhado em dar o suporte necessário ao pequeno produtor, já que este é responsável por colocar alimento na mesa do brasileiro. Dessa forma, é necessário que o governo aja de forma diligente e proveja o incentivo necessário ao produtor.

Outrossim, é fundamental apontar o desperdício de alimento como impulsionador do problema. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 90% do que é produzido é perdido ao longo da colheita, distribuição e comercialização. Desse modo, há uma grande perda e má distribuição de alimentos o que gera pobreza e fome no país. Diante disso, é preciso que haja o uso racional dos alimentos.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindí-

vel que o governo federal, mediante o redirecionamento de verbas, amplie a ação do Pronaf e garanta a assistência necessária ao pequeno produtor rural e estimule a agricultura familiar em todo o território nacional. Conjuntamente, por meio de projeto de lei, estabeleça as diretrizes para redução dos preços de alimentos com baixa “qualidade estética”, mas que possuem a mesma qualidade nutricional dos demais e o reaproveitamento daqueles que não foram vendidos nas redes de supermercados, mas que estão aptos para o consumo, afim de que o país consiga atingir a plena segurança alimentar de seus cidadãos. Assim, se consolidará uma sociedade com mais “pontes” e menos “muros”.