A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 01/07/2021
Durante a época iconoclasta do norte da Europa, no século XVI, surgiu nas artes a natureza morta, a qual representava, para esta população, proximidade com a fé, pois a fartura de comida na mesa seria uma forma de Deus abençoar e de estar perto. Analogamente, apenas aqueles que possuíam recursos financeiros conseguiam tal provimento. Dessa forma, mesmo com o decorrer dos séculos, ainda há problemas sócio-culturais refletidos em todo o mundo, como no Brasil, onde a quantidade de brasileiros que estão em situação de insegurança alimentar grave, ou seja, fome extrema, é muito alta. Por conseguinte, a preferência à exportação de alimentos ao abastecimento interno e o descaso do Estado com a situação interna do país propiciam a continuidade da subalimentação no Brasil.
Desse modo, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), o Brasil exportou comida para mais de 180 países, movimentando 34,1 bilhões de dólares no ano de 2020, e segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE, 10,3 milhões de brasileiros passam fome. Assim, é notável que há comida no país, porém uma má distribuição, devido à preferência à exportação de alimentos ao abastecimento interno. Como efeito, milhares de brasileiros passam fome porque para a economia do país é melhor vender do que alimentar a população interna, pois este não daria tanto lucro quanto o agronegócio.
Destarte, a população civil brasileira - sensibilizada pela quantidade de famílias desempregadas e sem ter o que comer - criou institutos não-governamentais sem fins lucrativos, as ONGS, para tentar eliminar a fome e a miséria no Brasil. Dessa maneira, é possível referenciar o presidente da instituição Legião da Boa Vontade (LBV), Paiva Netto, o qual disse que a solidariedade tornou-se estratégia de sobrevivência, pois, se hoje em dia o Estado não oferece suporte às pessoas necessitadas, a população, como um todo, se solidariza em juntar dinheiro e/ou comida para ajudar a quem precisa.
Portanto, associar a natureza morta aos dias atuais estaria incoerente com a realidade, uma vez que há esperança para aqueles que não têm comida no prato. Sendo assim, cabe ao Estado destinar subsídios para a população que vive com muito menos de um salário mínimo, a fim de apaziguar a desigualdade social e consequentemente, a fome. À vista disso, tal ação seria feita a partir da destinação correta dos fins lucrativos das exportações feitas pelo agronegócio, ou seja, ajudar financeiramente os pequenos agricultores, as famílias desempregadas e as pessoas que ainda não conseguem ganhar uma renda mensal maior de R$420,00. Logo, por meio da logística empregada na divisão de lucros estatais, a população brasileira conseguirá se reerguer financeiramente para finalmente alcançar seus direitos básicos, como a alimentação.