A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 25/06/2021

A Constituição Federal de 1988 prevê que todos os cidadãos tenham acesso à alimentação. Entretanto, o não cumprimento desse direito é evidente na sociedade, visto que, a questão da fome no Brasil, infelizmente, é uma realidade. Sob esse viés, a desigualdade social e as questões climáticas contribuem para que esse problema persista.

Sob tal perspectiva, vale ressaltar a desigualdade social como um dos motivadores do problema. A produção cinematográfica “O Poço”, conta a história de uma prisão vertical constituída por níveis, em que uma plataforma farta de alimentos passa pelas celas alimentando abundantemente os reclusos dos primeiros patamares, enquanto os das camadas mais baixas comem os restos. Nesse sentido, no Brasil, a priorização das classes mais altas é clara, uma vez que, os preços das comidas estão cada vez mais altos, impossibilitando que os menos favorecidos tenham acesso a ela. Desse modo, eles acabam comendo sobras de outros indivíduos e revirando lixeiras para se sustentarem.

Somado a isso, as questões climáticas são outro entrave que corroboram para a problemática. Segundo dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (PENSSAN), 47% das 7,7 milhões de pessoas do Nordeste estão em situação de fome. O clima semiárido da região provoca secas e escassez de água, gerando assim, a falta de alimentos, sendo que, a agricultura, principalmente a familiar, é a atividade mais praticada na região. Dessa forma, os produtores não conseguem colher os frutos de suas plantações -principal fonte de alimentação- e nem cuidar de suas criações, devido à falta de recursos hídricos. Logo, a insegurança alimentar se agrava, podendo até levar os indivíduos à morte por desnutrição.

Urge, portanto, medidas para atenuar esse revés no país. Dessa forma, cabe às ONG’S junto com o Poder Executivo, por meio da construção de restaurantes populares, oferecer a população mais carente uma refeição diária, com o fito de que a fome reduza, garantindo que esses indivíduos possam ingerir nutrientes necessários para o corpo e não se alimentem exclusivamente de sobras. Além disso, o Ministério do Desenvolvimento, deve distribuir capitais para os municípios do semiárido, para que assim, os produtores possam construir poços e cisternas para o armazenamento de água.