A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 17/08/2021

No livro “Quarto de despejo”, Carolina Maria de Jesus retrata seu cotidiano na favela de São Paulo e expõe sua situação de miséria, de modo que, a fome, por estar sempre presente, ganha nome e cor. Essa realidade, no entanto, é vivenciada por milhões de brasileiros que vivem em situação de insegurança alimentar grave. Tal problemática é causada pela priorização da exportação e negligência estatal diante das condições dos cidadãos brasileiros. Por isso, é necessário a análise desses fatos e possíveis medidas para a minimização da fome no Brasil.

Em primeira instância, sabe-se que o Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo mas, em contrapartida, sua população sofre com a falta de alimentos na mesa. Em um discurso na Assembleia Geral da Onu em 2020, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil estaria produzindo alimento para mais de 1 bilhão de pessoas, o que contribuia para a alimentação global. No entanto, dias antes, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que mais de 10 milhões de brasileiros vivem em situação de insegurança alimentar grave. Desse modo, com tal contradição, fica evidente que a produção para exportação tornou-se prioritária por ser mais lucrativa, enquanto que o suprimento nacional foi negligenciado. Assim, é fulcral que esse pensamento capitalista seja derrubado para que a fome no Brasil não mais exista.

Ademais, mesmo sabendo dos dados alarmantes sobre a situação precária que muitos estão sujeitos, o Estado pouco faz para mudar essa situação. De acordo com a Constituição Federal em vigor no Brasil, é dever do Estado garantir os suprimentos básicos a todos os cidadãos brasileiros. No entanto, por haver grande parcela fora desse direito, a alimentação ideal e saudável passou a ser um privilégio para apenas uma parcela da população. Logo, há uma necessidade de reversão desse quadro para que o acesso à comida passe a ser um direito de todos e não um privilégio de poucos.

Portanto, o ideal é que alimentos essenciais sejam mais acessíveis à população. Então, o Ministério da economia deve investir na agricultura familiar, de modo a oferecer subsídios para que os pequenos produtores possam vender seus produtos de qualidade com valores a baixo do mercado. Além disso, o Ministério da Cidade deve construir locais nas grandes e pequenas cidades para que sejam reservados para feiras e distribuição de alimentos básicos. Essa intervenções são importantes para que haja a democratização do acesso à alimentação e, assim, histórias como a da Carolina Maria de Jesus possam ser extintas.