A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 25/06/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos — documento criado para estabelecer medidas que garantam direitos básicos para uma vida dígna — institui que todo indivíduo tem direito a um nível de vida que seja suficiente para lhe assegurar alimentação. Entretanto, a atual conjuntura brasileira revela que ainda são muitos os brasileiros a enfrentar privação de alimentos e fome. Com efeito, o país com potencial agricultor ímpar é firmemente assolado pela má distribuição de alimentos, bem como pela desigualdade social. Portanto, o diálogo entre a crise social brasileira e a oferta educacional insuficiente é medida que se impõe.
Nesse sentido, é imperioso destacar que o Brasil carrega um fardo histórico constituído pela distinção social, pela escravidão e pelos supostos padrões de superioridade europeia. Fato esse que perdura até a contemporâneidade e sustenta os atuais parâmetros de desigualdade econômica e social. Posto isso, entende-se que a fome enfrentada no País, tal como impossibilidade de aquisição de alimentos são heranças históricas brasileiras. A esse respeito, o sociólogo Gilberto Freyre, em sua obra “Casa Grande e Senzala”, defendeu que a sociedade no Brasil acostumou-se a seguir padrões culturais e, assim, tornou-se dependente de um senhor poderoso, sendo incapaz de governar a si mesma. Semelhantemente, a população brasileira no século XXI acostumou-se com a disparidade vigente e, por isso, amapara o cenário deficiente do Brasil.
À vista disso, é preciso salientar também que a desnutrição ocasionada pela ausência de alimentação fere precisamente os princípios de dignidade humana. Ademais, a própria Constituição Federal de 1988 assegura o direito à alimentação a todos os trabalhadores, urbanos ou rurais. Posto isso, é evidente que não há mobilização efetiva do Estado para tratar da situação. No entanto, caso fosse ofertada uma educação de qualidade capaz de qualificar o indivíduo a todo tipo de emprego, menores seriam os índices de desemprego e maior seria o poder de compra da população. Assim, a fome seria erradicada e as pessoas teriam acesso irrestrito aos alimentos. Logo, enquanto o ensino superficial for regra, o bem-estar e a nutrição dos brasileiros serão excessões.
É urgente, portanto, que a questão da fome no Brasil seja sanada. Nesse sentido, o Governo brasileiro deve inaugurar, nas regiões mais carentes e desprovidas de recurso, mercados solidários nos quais as pessoas teriam a liberdade de pegar os itens que lhes fossem necessários, sem custos. Essa iniciativa possibilitaria atender as demandas da população assertivamente. Além disso, o Estado deve investir em cursos de especialização para os brasileiros com o fito de aumentar a taxa de admissão nos empregos. Dessa maneira, o Brasil poderia superar o pasado e criar novos marcos.