A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 25/06/2021

A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro - prevê a alimentação como direito humano necessário para assegurar saúde e bem-estar a todos os cidadãos. No entanto, na conjuntura contemporânea,  percebe-se que essa prerrogativa não é totalmente efetiva na prática, em decorrência do cenário social da fome, a qual afeta milhares de indivíduos em situação de vulnerabilidade. Nesse contexto, urge analisar como a desigualdade social e o desperdício de alimentos impulsionam tal problemática.

Convém ressaltar, a princípio, que a questão da fome está intrinsecamente relacionada à desigualdade social. Segundo a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar,  cerca de 19 milhões de brasileiros passaram fome em 2020. Nessa pespectiva, tal panorama ocorre, sobretudo, devido à má distribuição de renda, a qual inviabiliza que uma parcela da população tenha acesso à alimentação. Nesse sentido, milhares de indivíduos possuem uma renda muito baixa, os quais, em sua maioria, não conseguem obter os alimentos necessários para realizarem as refeições diárias, em virtude dos altos preços cobrados nos produtos alimentícios. Desse modo, as discrepâncias sociais proporciona um grave quadro de insegurança alimentar.

Outrossim, vale salientar que o desperdício de alimentos agrava o cenário da fome. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, aproximadamente 20 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçados anualmente.Nesse viés, muitos sujeitos sociais consomem mais alimentos do que o necessário, o que propicia o aumento de sobras e o acúmulo de lixo gerado pelo descarte desses mantimentos. Diante disso, a quantidade de alimentos desperdiçados diariamente bastaria para alimentar milhares de cidadãos e, dessa forma, minimizar os impactos sociais causados pela fome, como a desnutrição e a marginalização social. Por conseguinte, a irracionalidade do desperdício corrobora para o aumento crescente de indivíduos em situação de fome extrema.

Infere-se, portanto, que é imprescindível adotar medidas estratégicas para atenuar a questão da fome no âmbito social. Logo, cabe ao Ministério da Cidadania - órgão do Estado responsável pelas políticas públicas de desenvolvimento social - em parceria com as prefeituras municipais, localizarem os cidadãos em situação de insegurança alimentar e ampliarem a distribuição mensal de cestas básicas completas.Isso deve ser feito por meio de assistentes sociais, os quais se atentem para as necessidades desses indivíduos, a fim de reduzir os problemas causados pela fome. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.