A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 25/06/2021

No longa-metragem “O Poço”, indivíduos confinados em uma torre vertical, apenas podem se alimentar dos restos de comida dos níveis acima. Na narrativa, fica claro que quanto mais alto seu nível, maior a oportunidade de comer mais do que o necessário e fazer o que quiser com o banquete que é posto à sua frente. Análogo ao mundo ficcional, e acompanhando uma das críticas do filme supracitado, a questão da fome no Brasil possui como fatores motivadores a disparidade na distribuição de renda e a escassa disposição desses alimentos no território.

A priori, a permanência da riqueza nas mãos de uma minoria, leva a um cenário o qual a maioria vive com sérios problemas sociais, como a fome e a desnutrição. A Constituição brasileira, promulgada em 1988, garante, de forma irrevogável, o direito humano à alimentação. Entretanto, expõe-se que esse artigo é ferido na contemporaneidade, visto que a desigualdade social manifesta-se explicitamente nas taxas de fome. Assim, indivíduos em carência econômica são privados do direito de saciar sua fome, haja visto o alto preço de produtos nutritivos e alimentícios.

Outrossim, a falta de alimentação é intrinsecamente ligada a sua má distribuição. Segundo o WFP, Programa Mundial de Alimentos, no território brasileiro, 41 mil toneladas de comida são jogadas fora diariamente, enquanto uma, a cada 9 pessoas, passa fome extrema. Esse desperdício absurdo se dá por inúmeros fatores, estatais e individuais, como o meio que os alimentos são transportados, onde e como são armazenados, o baixo controle de pragas, compra de produtos em excesso e erros ao acomodá-los. Por consequência, há uma péssima distribuição alimentícia e o aumento espantoso das taxas de fome de nativos e residentes brasileiros.

Logo, visando inibir os fatores motivadores a questão da fome no Brasil faz-se urgente a tomada de ações. Vale expor que a desigualdade rentaria é uma questão complexa com uma solução apenas a longa-prazo, entretanto pode-se minimizar seus impactos. Assim, cabe ao Governo Federal, por meio do apoio e doações monetárias de ONGS e companhias privadas, criar restaurantes populares com valores acessíveis, levando ao acesso pleno ao direito básico de alimentação. Ademais, quanto ao desperdício diário de alimentos, cabe ao Ministério das Comunicações, como órgão responsável pelo gerenciamento da mídia, por intermédio de campanhas, incentivar o não desperdício de alimentos, expondo ideias de como reaproveitá-los e conservá los, fazendo com que essa má distribuição torne-se uma mazela passada na história do Brasil.